Operação ''Praga do Egito'' prende ex-governador e mais 40 pessoas
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
Agência Folha 
Brasília - Em operação denominada ''Praga do Egito'', a Polícia Federal prendeu ontem 41 pessoas, entre elas o ex-governador de Roraima Neudo Ribeiro Campos (PP), por suposto envolvimento com o esquema conhecido como ''escândalo dos gafanhotos''. Houve cumprimento de mandados de prisão em três Estados: Amazonas, Distrito Federal e Roraima. A PF batizou a investigação de Operação Praga do Egito em referência a uma das dez pragas lançadas por Moisés contra o faraó egípcio descritas na Bíblia - uma nuvem de gafanhotos que exterminou as plantações.
O ''escândalo dos gafanhotos'' revelou-se, de acordo com a investigação da PF e do Ministério Público, uma fraude de cerca de R$ 230 milhões em recursos públicos estaduais e Federais. ''A fraude não era muito sofisticada e contava com a total falta de organização do Estado. Consistia, basicamente, no tráfico de influência de uma importante pessoa da sociedade, com poder suficiente para fazer constar nomes na folha de pagamento do Estado'', relata o juiz-substituto Helder Cirão Barreto em despacho.
O esquema começou a ser investigado pela PF em setembro do ano passado, quando a Folha de S.Paulo divulgou a existência dos ''gafanhotos'' -funcionários fantasmas - da folha de pagamento do Estado. A partir de então, foram abertos 39 inquéritos para investigar o caso.
Há suspeita ainda de desvio de dinheiro obtido por meio de 24 convênios estaduais com a União, que totalizam R$ 225,5 milhões. A PF também apura fraudes relacionadas à apropriação de benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
As prisões realizadas ontem são temporárias - cinco dias prorrogáveis apenas uma vez por igual período - e têm por objetivo imobilizar a suposta quadrilha.
O ex-governador Neudo Campos é considerado pela PF um dos principais artífices da suposta quadrilha. Ele foi detido no início da manhã na casa de sua mulher, a deputada federal Suely Campos (PP-RR), em Brasília. No início da tarde, os federais o levaram para prestar depoimento à Justiça Federal de Roraima. Os suspeitos vinham, segundo o despacho de Barreto, ''dificultando a colheita de provas, sobretudo o depoimento de pessoas humildes, que foram usadas como ''gafanhotos', quer seja pela pura e simples intimidação, quer seja pela cooptação''.


