Operação Perfídia volta à origem da Lava Jato
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quarta-feira, 26 de abril de 2017
Fabio Fabrini, Fabio Serapião e Luiz Vassallo<br>Agência Estado 

São Paulo e Brasília - A 2ª fase da Operação Perfídia, da Polícia Federal (PF), deflagrada nesta quarta-feira (26) conduziu coercitivamente o doleiro Carlos Chater, dono do Posto da Torre - local de origem da distribuição de propinas a políticos investigada pela histórica Operação Lava Jato. Ele teve a condenação mantida pela Justiça Federal, em 2015, a cinco anos e seis meses em regime inicial fechado em uma ação de que tratava de crimes de tráfico de drogas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Atualmente, cumpre a pena em regime aberto.
Carlos Chater é o dono do famoso Posto da Torre, em Brasília, onde também funciona uma lavanderia e uma casa de câmbio. O local foi alvo da primeira fase e serviu de inspiração para o nome da Operação Lava Jato. A empresa e as contas, em nome do doleiro, foram usadas para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, segundo os investigadores. À época, foi descoberto também que Chater integrava o grupo de doleiros que faziam parte de esquemas de corrupção de políticos e agentes públicos até hoje investigado e alvo de denúncias da Lava Jato.
A Polícia Federal e Chater voltaram a se encontrar nesta quarta-feira (26) quando o doleiro foi conduzido coercitivamente na 2ª fase da Operação Perfídia, que investiga uma suposta organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal com ramificações em pelo menos cinco países. Além dele, a prima, Cláudia Chater, é alvo de mandado de prisão no âmbito da Perfídia.
De acordo com o Ministério Público Federal, na primeira fase da operação, em dezembro do ano passado, foi descoberta a movimentação de "cifras bilionárias". Foram encontrados documentos que apontam para uma empresa do tipo offshore controlada pela organização no exterior que pode ter realizado, em uma única transação bancária,movimentações que excedem US$ 5 bilhões. O Ministério Público Federal dá conta de que foram usadas empresas offshore, loterias, hotéis e administradores de imóveis para movimentar o dinheiro.
O juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal, determinou sigilo de 24 horas sobre os documentos da operação.
As duas prisões temporárias, os 55 mandados de busca e apreensão, as 43 conduções coercitivas e o recolhimento de telefones celulares de investigados foram cumpridos no Distrito Federal, mas também na Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins. Em nota, a PF informou que cerca de 200 policiais federais participaram da operação.
FLAGRANTE
As investigações começaram a partir da prisão em flagrante de um jordaniano ocorrida na imigração do Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília, no mês de agosto de 2016.
O jordaniano desembarcou da França em Brasília com passaporte brasileiro obtido com documentos falsos. Uma primeira busca foi feita em dezembro e, a partir da análise do material apreendido, descobriu-se que o esquema era muito maior, envolvendo lavagem de dinheiro internacional e movimentação financeira muito grande.
A Polícia Federal investiga se integrantes do esquema realizavam operações de câmbio não autorizadas, além de dissimularem a aquisição de imóveis de alto valor e promover a evasão de divisas. Para isso, eles teriam usado "laranjas" e falsificado documentos públicos, especialmente certidões de nascimento emitidas em cartórios no interior do Brasil.
O denominado "núcleo duro" do grupo, formado por proprietários de postos de gasolina, agências de turismo, lotéricas, entre outros estabelecimentos, era responsável pela aquisição fraudulenta de imóveis e ativos para fins de lavagem de dinheiro.
Somente em uma das operações de compra e venda identificadas pela PF o negócio chegou a R$ 65 milhões.
Segundo a PF, o esquema contava ainda com o apoio de advogados, contadores, serventuários de cartórios, empregados de concessionárias de serviços públicos e até de um servidor da Polícia Federal.
PERFÍDIA
O nome da operação é uma referência à traição e deslealdade dos integrantes do núcleo duro da organização criminosa com o País.


