OPERAÇÃO LAVADUTO - Assessores teriam movimentado R$ 1,5 mi
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quinta-feira, 29 de junho de 2006
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Os dois assessores parlamentares do deputado federal José Janene (PP), o casal Rosa Alice Valente e Meheidein Hussein Jenani, prestaram depoimento ontem na Polícia Federal (PF). Os assessores e a mulher do deputado, Stael Fernanda, são investigados em um inquérito que apura lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro.
Segundo o delegado que preside o inquérito, Gerson Machado, pelas contas bancárias do casal teriam passado, somente em 2004, mais de R$ 1,5 milhão. ''A Receita Federal está fazendo uma análise para fins tributários, mas o que mais chama a atenção é o ano de 2004. Do Meheidein e da Rosa somam mais de R$ 1,5 milhão em um ano'', relatou o delegado.
Conforme a investigação, pela conta da assessora, teriam passado R$ 150 mil, depositados pela corretora Bônus Banval, citada nas investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, no esquema do ''valerioduto''. ''A questão que mais tem materialidade são os depósitos da Bônus Banval, que segundo a CPMI dos Correios teriam sido feitos em contrapartida aos depósitos que o Marcos Valério teria feito para pagamento do deputado'', disse Machado. ''A Rosa nega a origem mas está constatado nas contas o depósito feito pela Bônus Banval'', explicou. O relatório da CPMI ainda aponta um depósito de R$ 400 mil na conta da mulher do deputado.
No inquérito também constam diversas operações financeiras feitas por empresas e pessoas físicas com a assessora. Entre eles, dois saques que teriam sido feitos por Rosa da empresa Bauruense, que totalizaram R$ 200 mil. O delegado também confirmou ter verificado um cheque assinado por Rosa no valor de R$ 9 mil e que teria sido utilizado para a compra de uma propriedade rural nome do deputado em Faxinal.
No depoimento, Rosa - que não falou com a imprensa - teria admitido a movimentação de cerca de R$ 200 mil, depositados pelo deputado para pagamento de ''despesas triviais'' da família do parlamentar. ''Ela era uma colaboradora, ajudava ele (Janene) nos pagamentos, como toda pessoa que tem uma atividade parlamentar precisa de alguém para gerir suas despesas, suas finanças'', alegou o advogado da assessora Nivaldo Migliozzi, que refutou os valores apresentados pelo delegado. ''Não tem nada de R$ 1 milhão. Foram R$ 200 mil e poucos reais nos últimos três, quatro anos. A origem está documentada. Dinheiro do deputado, salário, atividade de comércio que ele exerce, compra e venda de soja, sítio, essas coisas que ele tem'', justificou.
De acordo com o delegado, Rosa não teria confirmado a emissão do cheque para a compra da propriedade rural do deputado. ''Não confirmou nada disso. Não consta nada.''
Mesmo com as negativas em torno dos valores e da origem dos recursos movimentados nas contas, o delegado disse que os depoimentos são de extrema importância para o inquérito. ''Esclarecem se eles sabiam ou não da movimentação, se eles tinham participação ou não. É importante colocar isso no papel porque o crime de lavagem de dinheiro no artigo primeiro fala em ocultação, dissimulação, são atos que necessitam a participação efetiva nesse tipo de crime'', explicou.
A assessora deve voltar hoje a prestar novo depoimento na PF. Conforme o delegado, ontem Rosa prestou esclarecimentos sobre sua movimentação financeira. Hoje ela deverá explicar os documentos e bens apreendidos em maio na casa dela e no escritório político de Janene na chamada Operação Lavaduto.


