Brasília - Em depoimento ontem à CPI dos Correios, o agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Edgard Lange disse que o órgão investigou, neste ano, indícios de corrupção na estatal e que a operação teria sido suspensa quando se aproximava da diretoria de tecnologia, ocupada pelo PT. Ele ressaltou que a única técnica de obtenção de informações adotada foi a de entrevistas, não sendo utilizados grampos.
O escândalo dos Correios teve início com a divulgação de um vídeo em que Maurício Marinho, ex-chefe do departamento de Contratação e Administração, aparece recebendo propina para favorecer empresas em licitações. O funcionário afirma na conversa que agia em consonância com o então presidente do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ), que era um dos principais aliados do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Lange, a Abin autorizou a ''produção de conhecimentos'' sobre os Correios no dia 5 de abril deste ano e que as atividades foram suspensas, por determinação do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Jorge Armando Félix, no dia 17 de maio. Lange afirmou ainda que recebeu a ordem para suspender a investigação um dia após receber cópia do vídeo que gerou o escândalo. Jefferson teria encaminhado ao GSI a fita, no dia 16 de maio, solicitando a identificação do autor da gravação.

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