Operação Dilúvio muda primeiro escalão em Maringá
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sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), convocou reunião do conselho deliberativo do Aeroporto Silvio Name Jr com objetivo de definir o substituto provisório do atual superintendente, Marcos Valêncio - preso na quarta-feira pela Operação Dilúvio, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de fraudes em comércio exterior. Valêncio foi assessor especial do gabinete do prefeito até o final do ano passado e assumiu a direção do aeroporto por indicação de Silvio Barros. O aeroporto local foi construído pela prefeitura e sua gestão é municipalizada.
O chefe de gabinete da Prefeitura, Ulisses Maia, disse que o afastamento definivo de Valêncio somente será discutido se ficar comprovada sua participação nas fraudes. ''As informações que nos chegaram é que se trata de uma prisão provisória de 5 dias para averiguação. Ele sempre mereceu a confiança do prefeito e até prova em contrário vamos aguardar'', afirmou. ''Como há muitas ações para serem tomadas no dia a dia estamos definindo um substituto provisório.''
Marcos Valêncio é empresário e seria responsável pelas empresas Opus Trading e Mercotex, suspeitas de participar no esquema internacional de sonegação, evasão de divisas, falsidade ideológica e documental, e cooptação de servidores públicos. O empresário foi assessor jurídico da campanha de Silvio Barros e em 2005, prestou assessoria em comércio exterior ao gabinete do prefeito. Silvio Barros estava em viagem e não foi localizado pela Folha.
Na delegacia da Receita Federal em Maringá, que teve presos 3 auditores (Gerry César Barankievicz, José Eugênio Benedeti Belato e Júlio César de Oliveira) e um técnico fiscal (Benjamin Batista Veiga), o clima no dia seguinte era de consternação. ''Estamos de queixo caído, a gente ainda não sabe direito o que aconteceu porque a operação foi coordenada fora da cidade, mas se alguma coisa for provada vai ser uma grande surpresa para todo mundo'', explicou o relações públicas da RF em Maringá, Marcos Luchiancenkol.
Paralelamente à Operação Dilúvio, a PF investiga o assassinato do auditor fiscal e chefe do setor aduaneiro em Maringá, José Antônio Sevilha de Souza, em 29 de setembro do ano passado. Sevilha trabalhava como superior hierárquico dos servidores presos esta semana e chefiava um trabalho de combate às fraudes em comércio exterior - foco idêntico ao da operação coordenada pela PF.
O inquérito sobre o assassinato é conduzido sob sigilo e a PF ainda não identificou os responsáveis.
A Folha tentou contato com a Estação Aduaneira de Interior (EADI) de Maringá, que também teve dois funcionários presos pela PF, mas não obteve retorno.


