O ministro da Defesa, Geraldo Magela Quintão, disse ontem que o governo abrirá os arquivos dos órgãos de inteligência militares para responder ao pedido da Justiça argentina. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica começaram a pesquisar os arquivos para fornecer subsídios ao Supremo Tribunal Federal (STF).
‘‘Evidentemente que vamos abrir’’, disse Quintão, acrescentando que não há desagrado entre os militares em relação à investigação da Operação Condor, supostamente criada pelos países do Cone Sul e Chile, para repressão política durante o governo militar.
O ministro não quis polemizar sobre a existência ou não da Operação Condor, alegando que não raciocina sob hipóteses e que tem de se verificar a realidade dos fatos.‘‘Se os arquivos indicarem alguma coisa, é claro que se poderá chegar a essa conclusão.’’ Mas dois documentos apresentados ontem na Comissão de Direitos Humanos da Câmara poderão estabelecer o elo de colaboração dos governos militares na década de 70.
Num informe enviado ao embaixador do Paraguai no Brasil, Raul Peña, o então coronel João Batista Figueiredo, na época chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) relaciona diversos nomes de uruguaios que estariam sendo investigados no País pela polícia brasileira. ‘‘Existem indícios de que exista ligação entre os comunistas brasileiros e paraguaios’’, informou Figueiredo, que, anos depois, foi nomeado presidente do Brasil.
O outro documento é do Departamento de Inteligência Nacional do Chile (Dina), que apresenta a programação da primeira reunião de trabalho de inteligência nacional, que foi realizada naquele país, em novembro de 1975.
A programação foi descoberta pelo presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke, no Arquivo do Terror, em Assunção, no Paraguai, onde estão depositados relatórios sobre todas as operações de repressão realizadas nas décadas de 70 e 80 em várias partes da América do Sul, incluindo o Brasil.

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