São Paulo - Com a deflagração de uma operação com foco na corrupção na obra da usina nuclear de Angra 3, 7 das 10 maiores obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são alvo de investigações e ações penais resultantes da Operação Lava Jato. Sozinhos, o setor de petróleo e o sistema elétrico concentram R$ 207 bilhões da vitrine dos governos Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Dilma Rousseff (2011-atualmente) na área de infraestrutura. Além de cinco obras da Petrobras e Angra 3, a construção da usina de Belo Monte, no Pará, também é objeto de um inquérito que corre sob segredo de Justiça no Paraná.
As obras civis da terceira planta nuclear brasileira foram iniciadas em 1984 e ficaram paradas por 25 anos. Reiniciada em 2009 com previsão de R$ 7 bilhões, a usina só deverá entrar em operação em 2018, com três anos de atraso em relação ao cronograma, e deve custar R$ 15 bilhões, mais que o dobro do orçamento inicial.
Integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, o procurador Athayde Ribeiro Costa evitou comentários sobre propina a políticos.
Em depoimento prestado em março, o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, disse que um dos destinatários do suborno é o diretor da Eletronorte Adhemar Palocci, irmão do ex-ministro Antonio Palocci. Avancini também citou o nome de Flávio David Barra, executivo da Andrade Gutierrez preso ontem. Segundo ele, Barra era o interlocutor da diretoria de Energia da Camargo Corrêa nas obras de Belo Monte. O ex-presidente da Camargo Corrêa também confessou ter pago R$ 20 milhões em propina nas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

PETROBRAS

Na última sexta, na denúncia contra o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, e cinco executivos do grupo, a acusação apontava corrupção e pagamento de propina em contratos que somam R$ 12,6 bilhões de parte das obras do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), refinaria Abreu e Lima (Rnest, PE) e refinaria Getúlio Vargas (Repar, PR). Maior obra do PAC, o Comperj é orçado em R$ 45 bilhões, duas vezes e meia a mais que o custo estimado inicialmente. Abreu e Lima, que deve sair por R$ 26 bilhões, está atrasada cinco anos. A Refinaria Premium 1, no Maranhão, estimada em R$ 40 bilhões, foi cancelada quando os trabalhos de terraplenagem não haviam sido finalizados. Liderada pela Galvão Engenharia, a Premium foi citada pelo doleiro Alberto Yousseff como fonte de propina para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. A estatal petrolífera também é alvo de suspeitas no seu programa de exploração do pré-sal, orçado em R$ 9 bilhões, onde empreiteiras são investigadas por fraude e pagamento de suborno para levar contratos de fornecimento de navios-sondas.

OUTRO LADO


A Andrade Gutierrez informou, por meio de nota, que só vai se manifestar sobre o caso de Angra 3 após seus advogados conhecerem o teor das investigações que motivaram a operação desta terça. A Engevix não se manifestou. Questionada após a denúncia contra seus dirigentes, a Construtora Norberto Odebrecht afirmou que "não participa e nunca participou de nenhum tipo de cartel, reafirma que todos os contratos que mantém, há décadas, com a Petrobras, foram obtidos por meio de processos de seleção e concorrência que seguiram a legislação vigente". Procurada, a Eletronuclear informou que apenas a Eletrobrás falaria sobre o assunto. A estatal, por sua vez, disse que, por ora, não vai se manifestar. (Graciliano Rocha e Bela Megale/Folhapress)

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