Onze índios também disputam eleição
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
Edson Luiz Agência Estado 
Fora do Congresso desde 1987, quando o cacique Mário Juruna concluiu um mandato de deputado federal, a comunidade indígena tenta, este ano, retornar à cena política. São 11 candidatos disputando vagas nas assembléias legislativas, Câmara dos Deputados e até no Executivo, numa campanha que se trava quase só na floresta, já que a maioria é da Amazônia. Cinco deles preferiram partidos de esquerda - PT e PC do B - e os demais estão no PPB, PDT, PSDC e PTB.
O único candidato a governador é David Oliveira, que disputa a eleição no Distrito Federal pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Da nação terena, Oliveira é considerado um índio da cidade, pois mora Brasília. Sem o gravador que o tornou famoso, o velho cacique Juruna mora em uma cidade-satélite, longe dos xavantes, sua tribo. Doente, Juruna ainda alimenta um sonho: o de ser presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), da qual é assessor. Além de Juruna, Marcos Terena também tentou a carreira política ao candidatar-se a deputado federal em Brasília, há quatro anos, mas foi derrotado.
Outros dois índios-candidatos que não moram na Amazônia estão no Paraná e Mato Grosso do Sul. O catarinense Ludovico Monconã, do grupo caingangue, disputa uma vaga de deputado federal pelo PSDB paranaense, enquanto que Joel de Oliveira pretende eleger-se deputado estadual pelo PTB em Campo Grande.
Em comum, os dois têm um problema: falta de dinheiro. Monconã chegou a pedir ao presidente da Funai, Sulivan Silvestre de Oliveira, um carro para poder chegar aos eleitores.
Apenas dois dos 11 candidatos são da mesma tribo. José Adalberto Silva e Nélino Galé pertencem ao grupo macuxi, de Roraima, e são mais conhecidos no exterior que no Brasil. Os dois chegaram a viajar à Europa para engrossar um protesto contra a política indígena do governo, em Londres. Silva e Galé disputam pelo PT, partido de Antenor Karitiana, de Rondônia, que também tem outro candidato, o índio suruí Almir Suruí, do PTB.
Pelo PC do B, entraram na disputa por uma vaga na Assembléia Legislativa de seus estados Pedro Mendes Gabriel, do Amazonas, e Antônio Ferreira da Silva, do Acre. Silva mora nas proximidades do município de Jordão, onde só se chega de avião. A região, porém, concentra grande parte dos votos obtidos pelos dois vereadores e um deputado estadual do Acre, pertencentes ao PC do B.
No Amazonas, o índio tucano Álvaro disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PDT. Considerado uma das maiores lideranças do Alto Rio Negro, Álvaro pretende uma parceria com os ribeirinhos, de quem espera os votos para sua eleição. Em Tocantins, Idjarruri Karajá candidatou-se pelo PPB, partido do governador Siqueira Campos.
Nas eleições do passado os índios ajudaram a eleger inúmeros deputados estaduais e federais que nada fizeram para defender os reais direitos e interesses dos índios, diz o Conselho de Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Brasil (Capoib), em uma carta aberta dirigida aos 302 mil índios brasileiros. Precisamos e podemos mudar essa situação, precisamos acreditar na nossa força e na capacidade de nossas lideranças pelo Brasil a fora, acrescenta a nota. Por isso precisamos de parlamentares que sejam índios e que, portanto, conheçam nossa realidade, ressalta o apelo.


