Onyx Lorenzoni: "O governo é novo e vem aí um novo Brasil: ou afina com a gente ou troca de casa. Simples assim."
Onyx Lorenzoni: "O governo é novo e vem aí um novo Brasil: ou afina com a gente ou troca de casa. Simples assim." | Foto: Lúcio Tavora/Agência Tempo/Estadão Conteúdo



Brasília - O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tomou posse nesta quarta (2) com um discurso conciliador e apelando à oposição por um pacto para que ajude a gestão Jair Bolsonaro (PSL) a governar o País. Na frente do chefe, afirmou que ele não "recebeu um papel em branco"da população ao ser eleito no segundo turno contra Fernando Haddad (PT).

Na véspera, o presidente havia citado a necessidade de apoio parlamentar em discurso no Congresso, mas sua fala pública na praça dos Três Poderes retomou a retórica agressiva da campanha eleitoral, dizendo que havia começado a libertar o País do "socialismo" associado ao PT -que deixou o poder há mais de dois anos.
A modulação do discurso parece indicar uma nova dinâmica no Planalto sob nova gestão, em que declarações incendiárias para galvanizar a base de apoio de Bolsonaro são intercaladas por falas apaziguadoras destinadas aos atores políticos.
"Eu conversei com o presidente hoje pela manhã e nos cabia fazer o primeiro gesto", disse depois o chefe da Casa Civil sobre seu discurso. "A gente tem clareza e estará muito firme no que acreditamos. Mas isso não quer dizer que não sejamos capazes com humildade estender a mão e pedir um entendimento porque tem um valor maior que é o nosso País."
Bolsonaro deu posse, no Palácio do Planalto, a Onyx e ao secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno (PSL-RJ). Os dois generais de quatro estrelas da reserva que integram o novo núcleo duro palaciano, Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), também assumiram. O presidente não discursou ou deu declarações, saindo do evento para receber o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo.

EXONERAÇÃO
O novo ministro da Casa Civil anunciou nesta quarta-feira (2) que vai exonerar todos os funcionários com cargos em comissão e gratificação na sua pasta, número calculado por ele em 320. Sete horas depois de pregar um pacto com a oposição, Onyx disse que o governo de Jair Bolsonaro não pode manter servidores petistas ou de ideologias que não se identificam com o projeto "de centro-direita".

"Nós vamos despetizar o Brasil", afirmou ele. As exonerações devem ser publicadas nesta quinta-feira, 3, no Diário Oficial da União, mas o ministro disse que ainda fará uma espécie de chamada oral para saber como cada um dos ocupantes dos cargos chegou ao governo. Onyx negou, porém, que a prática seja uma caça às bruxas ideológica. "Para não sair caçando bruxa, primeiro a gente exonera e depois a gente conversa", afirmou. "O governo é novo e vem aí um novo Brasil: ou afina com a gente ou troca de casa. Simples assim."

Responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso, Onyx disse que, na reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira (3) vai propor que todas as pastas sigam o mesmo exemplo e exonerem os ocupantes de cargos em comissão para fazer um pente fino nas nomeações.

"Vamos procurar retirar do quadro todos aqueles que têm um componente ideológico antagônico ao nosso projeto. Nós somos, sim, um governo que tem um perfil de centro-direita; nós somos, sim, uma aliança liberal conservadora. Não tem fundamento (ficar no governo) o cara que é socialista, comunista ou qualquer dessas outras coisas. Vamos falar branco e franco: a gente não tem medo de enfrentar isso", argumentou o chefe da Casa Civil.

O processo de reavaliação dos funcionários, chamado por Onyx de "revisão", durará cerca de duas semanas. Somente ficarão livres das exonerações os servidores da Subchefia de Assuntos Jurídicos (SAJ) e da Imprensa Nacional, que preparam os atos do governo. O Diário Oficial da União, por exemplo, é publicado pela Imprensa Nacional.

Mesmo antes da posse, integrantes do futuro governo já diziam que 30% dos cargos em comissão seriam cortados. Questionado se a máquina pública não pararia com esse enxugamento, Onyx afirmou que houve aparelhamento do Estado nos quase 14 anos em que o PT comandou o País. "Tomamos essa decisão consciente de ter dificuldade, mas vamos governar com aqueles que acreditam no nosso projeto. É importante que a gente possa governar livres de amarras ideológicas", insistiu o ministro. Para exemplificar a situação, ele fez uma analogia: "Sou colorado. Não tem sentido por um gremista militante na diretoria do Inter, tem?"

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