Onomatopeia da moda
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Onomatopeia da moda
Quando algum membro do governo, resfriado, chia ou tosse, produz um Coaf, Coaf. É pelo menos o tom mais forte das coisas. Depois da denúncia dos R$ 1,2 milhão movimentados entre janeiro de 2016 e 2017 surge uma outra: a de que Fabrício Queiroz, assessor do senador Flávio Bolsonaro, teria operado com R$ 7 milhões entre 2014 e 2017.
Pelo jeito estamos diante de uma onda como as da Lava Jato ou pelo menos de certos momentos em que a ausência de barragens a vazamentos sustentava o tom das coisas, posto que mais tarde sustentadas por delações premiadas. O acesso ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, é aberto ao Ministério Público, e todas as reclamações de quebra de sigilo fiscal, como a acionada por Flavio Bolsonaro e parcialmente acolhida pelo ministro Luis Fux, não se ajustam à jurisprudência da instância superior, quer pelo STJ, quer pelo STF. Questionamentos similares foram inteiramente rejeitados.
O vice-presidente, general Hamilton Mourão, substituindo o presidente em sua viagem a Davos, declarou que o caso Flávio Bolsonaro não tem impacto no governo, enquanto não houver conclusão nas investigações. Formalmente, ele está correto, mas não impede que a interjeição, como ela é, afinal vista e ouvida, fique no ar com seu ruído magnético Coaf, Coaf.
Expectativas
Há, é claro, na parte otimista do mercado, a expectativa de que as agências de risco melhorem as notas do Brasil e isso por uma série de fatos que podem ser elencados, o mais abrangente deles a perspectiva animadora entre empresários. Se isso se der em meio às reflexões do Forum Econômico em Davos, Suíça, criará um background adequado para um desempenho de Jair Bolsonaro como nenhum dos seus antecessores recentes conseguiu e com uma vantagem - a de uma disposição para ruptura com as acomodações e por um papel diferenciado de sua tradição diplomática por um novo alinhamento.
Do chamado G-20, o presidente brasileiro é um dos atores que mais despertam curiosidade, ainda mais por levar na comitiva figuras simbólicas da liberdade de iniciativa como o ministro Paulo Guedes e de um az, de projeção internacional na luta contra a corrupção e sobretudo a impunidade, como o ministro da Justiça e Segurança, Sergio Moro. Outra expressão é o chanceler Ernesto Araújo.
Se as previsões positivas se confirmarem, inclusive com o aval das agências de risco, mais alguma indicação de que pretende Paulo Guedes na trajetória de reformas, nada por certo terá maior valia. É que tudo que se espera do Brasil vem mais da economia por maior apreço que haja nas cintilações da luta contra a corrupção e no novo rumo da diplomacia. Foi num governo transitório, o que substituía o impichado Collor, sob a batuta do vice Itamar Franco, que Fernando Henrique Cardoso e sua equipe de economistas nos deram o Plano Real, a mais duradoura das nossas experiências de estabilidade. Por que não acreditar em algo mais forte e profundo e a qualquer momento? Milagre - e é de certa forma o que precisamos - afinal não tem partido e muito menos ideologia sólida.
Sisu
Começam nesta terça em todo o Paraná as inscrições (oferta de 10.943 vagas ) para o Sisu, Sistema de Seleção Unificada do Ministério da Educação em 31 municípios por oito das nossas universidades, dentre as quais a que oferecerá mais vagas, em número de 4.542, será a Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O resultado da primeira chamada será divulgado a 28 de janeiro pela internet.
Carestia
Reportagem recente desta "Folha" mostrou o impacto do custo de vida no segmento da terceira idade acionado fortemente pelos dispêndio com saúde e alimentação. Como hoje há pesquisas especializadas, deu para perceber que o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade teve alta acumulada de 4,75% num país de inflação para lá de baixa. Em gastos com saúde, além da alta generalizada nos remédios, houve o reajuste médio dos planos de saúde em 10,07%, o que está presente num elemento dramático que é da desistência desse atendimento pela alta dos seus custos. Nas investigações da sondagem percebeu-se ao drama de muitos idosos de se verem obrigados a destinar parte de sua aposentadoria a membros da família.
Um dos sinais característicos da preocupação com os idosos ganha expressão nos indefectíveis bailes da terceira idade, de importância no convívio, mas que não traduzem como se pretende a essência do estado de espírito da velhice agredida na carestia.
O insubstituível
Há aquela frase terrível de que o cemitério está cheio de insubstituíveis, mas na área pública nos defrontamos seguidamente com pessoas de tal desempenho que é difícil imaginá-las fora da atuação em que antes de tudo se exalta o serviço público. Um desses exemplos é a Claudia Silvana na defesa do consumidor e do usuário, e outro o jornalista e escritor Rogério Pereira, que devolveu à Biblioteca Público a dignidade dos tempos de filósofos como Lamartine Correa e Fausto Catilho com um nível de aproximação com o leitor em termos excepcionais na produção de obras e eventos.


