''Ressabiada'' com os valores declarados por alguns postulantes ao Legislativo londrinense, a organização não-governamental (ONG) Transparência Londrina vai dar início a um trabalho de auditoria nas prestações de contas de campanha de todos os 407 candidatos ao Legislativo e dos sete ao Executivo - uma vez que os dois concorrentes de segundo turno têm prazo final até dia 25 deste mês para a entrega. Para quem concorreu apenas na primeira fase do pleito municipal, o prazo para a declaração do quanto foi gasto se encerra hoje, às 19 horas. Até o final da tarde de ontem, menos da metade - cerca de 150 processos - haviam sido protocolados; nenhum, de candidatos a prefeito.
De acordo com a coordenadora da Transparência Londrina, Inês Wolff, a iniciativa da auditoria nas prestações será proposta na semana que vem, ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e a entidades de classe, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da Comissão de Administração Pública da subseção regional. Segundo a coordenadora, o grupo resolveu adotar a iniciativa na semana passada, a partir de matéria publicada pela FOLHA com as primeiras prestações de contas de campanha. Nela, foram expostos os gastos de três vereadores eleitos, novatos para a 15 Legislatura e com valores entre R$ 4.147 e R$ 13.548, além de cinco protocolos de não eleitos que variavam entre R$ 1.489 e R$ 7.319,85. Na grande maioria dos casos, o valor arrecadado em receita é o mesmo que o declarado nas despesas.
''Pelo que vimos, percebemos que alguns candidatos declararam valores que, sabe-se, são impossíveis de se gastar apenas aquilo em uma campanha. Muitas vezes, nem o bom senso de disfarçar o sujeito tem - portanto, é melhor desconfiar e fazer essa auditoria agora, a pagar o preço da omissão depois'', declarou.
Indagada sobre quais parâmetros de gastos a ONG vai trabalhar - uma vez que o universo de candidatos era bastante diversificado, tanto política quanto sócio-economicamente -, a ativista resumiu: ''Como não temos ainda experiência nesse tipo de iniciativa, vamos fazer uma amostragem - considerar aquelas que oferecerem maior disparidade e acionar o MPE a investigar essas contas, com ajuda de entidades'', disse Inês, para completar: ''Só esperamos que a Justiça Eleitoral olhe a prestação de todos com cuidado, que isso não seja uma atitude pró-forma, apenas''.
O chefe de cartório da 41 Zona Eleitoral, André Madureira, explicou que, pela resolução 22.715/2008 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a não prestação de contas impede que o candidato obtenha a certidão de quitação eleitoral durante o curso do mandato ao qual concorreu. Ao comitê financeiro, nesse caso, resta a perda do direito ao recebimento da quota do Fundo Partidário no ano seguinte ao da decisão. Conforme Madureira, nenhum candidato poderá ser diplomado até que as suas contas tenham sido julgadas - o que deve ocorrer, em Londrina, até oito dia antes da diplomação marcada para 17 de dezembro.

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