Ong pede abertura de todos os arquivos
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Talita Figueiredo<br> Folhapress 
Rio de Janeiro - O Grupo Tortura Nunca Mais divulgou ontem nota em que defende a abertura de todos os arquivos da repressão e a anulação do decreto 4.553/2002 do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), assinado quatro dias antes de deixar o governo, que ''amplia os prazos de segredo de todas as categorias de documentos, permitindo que aqueles considerados ultra-secretos tenham sigilo eterno''.
Para a diretora do grupo Victoria Grabois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os demais integrantes da cúpula do governo têm ''medo dos militares''. ''Os militares têm a mesma postura do governo da ditadura. O Governo Lula deve ter feito um trato com os militares para garantir a governabilidade. Mas eles devem ter medo dos militares, porque o esquema montado pela ditadura nunca foi desfeito. Basta ver o araponga militar que continuou frequentando comícios depois do fim da ditadura'', afirmou.
Victoria se referia ao cabo do Exército José Alves Firmino, que afirmou ter feito espionagem política para o Exército até 1995. O cabo foi quem entregou as fotografias do jornalista Wladimir Herzog à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Na nota, o Tortura Nunca Mais sustenta que as fotos de Herzog ''comprovam a veracidade'' da existência de documentos nos arquivos das Forças Armadas e em outras instituições públicas.
O grupo afirma considerar ''inadmissível e inaceitável que, passados 40 anos do golpe militar, continue sendo negado aos cidadãos de nosso país o direito de conhecer e apurar todos os crimes praticados em nome da ''segurança nacional''.
No último dia 8 de setembro, durante participação na inauguração da nova sede do Arquivo Nacional, no Rio, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, disse o governo federal estuda rever o decreto presidencial 4.553/2002. Na ocasião, o ministro disse que, desde o começo do governo, está se procurando encontrar ''uma saída para o acesso aos documentos''.


