ONG denuncia desaparecimento de 12 ossadas em AL
O diretor da Human Rights Watch do Brasil - maior organização não-governamental (ONG) em defesa dos direitos humanos no mundo - James Louis Cavallaro denunciou ontem o desaparecimento de 12 ossadas de vítimas do crime organizado em Alagoas. A denúncia foi encaminhada por ofício ao ministro da Justiça, Renan Calheiros. Segundo Cavallaro, das 32 ossadas encontradas este ano em cemitérios clandestinos, em Alagoas, apenas 20 se encontram no IML de Maceió. O chefe de Serviço do instituto disse que dez ossadas foram enterradas no cemitério de indigentes, e duas sumiram; ninguém sabe onde foram parar, afirmou Cavallaro, que criticou a política de direitos humanos do governo Fernando Henrique Cardoso.
Cavallaro está em Maceió a convite da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Fórum Contra a Violência e Coordenadoria Municipal de Direitos Humanos. Ele veio pedir às autoridades policiais para não enterrar as 32 ossadas encontradas este ano em cemitérios clandestinos, em Alagoas, sem que antes sejam realizados os exames de ácido desoxirribonucléico (DNA) para facilitar a identificação dos restos mortais. No Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, 123 famílias estão cadastradas à procura de parentes desaparecidos, desde que as ossadas foram encontradas, em março. Nenhuma ossada foi identificada.
No Exterior, o discurso do presidente é muito bom, mas, no Brasil, a prática é outra, completamente diferente, avaliou Cavallari. É por isso que, em Alagoas, os crimes envolvendo policiais civis e militares continuamm impunes, completou. A ONG luta, no Brasil, para que os crimes contra os direitos humanos sejam investigados pela Polícia Federal (PF).
Cavallaro disse que, quando esteve no IML de Maceió - cujas péssimas condições de funcionamento e equipamentos foram denunciadas durante autópsia do empresário Paulo César Farias, o PC -, ficou horrizado com o descaso dado às ossadas. É uma vergonha; os funcionários lidam com os restos mortais das pessoas comos se fossem lixo, espalhados pelo chão, tudo misturado.
De acordo com Cavallaro, a pistolagem em Alagoas terá destaque no relatório que a entidade prepara sobre os ataque aos direitos humanos no Brasil, em 1998. Este relatório inclui a situação da violência em 70 países, acrescentou. Depois de se reunir com as entidades de direitos humanos em Alagoas, Cavallaro esteve com o superintendente da PF, delegado Bergson Toledo e com o secretário Estadual de Segurança Pública, João Mendes.
Na Secretaria da Segurança Pública (SSP), Mendes disse para Cavallaro que não tinha conhecimento do sumiço das ossadas. Se enterraram, foi sem o meu consentimento, garantiu. (AE)





