ONG defende redução de cargos comissionados
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de abril de 2005
Angela Lacerda<br>Agência Estado 
Recife- Convicto de que o nepotismo só será enfrentado com a redução do número de cargos comissionados nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, o coordenador executivo da organização não-governamental Transparência Brasil, Cláudio Abramo, defendeu a medida sexta-feira passada, no Recife, durante o 1º Fórum Estadual de Combate à Corrupção. O encontro é preparatório para o 4º Fórum Global de Combate à Corrupção que se realiza em julho, em Brasília, e contou com a participação do ministro do Controle e Transparência, Waldir Pires.
Para Abramo, o nepotismo é consequência do grande poder de nomeações dos poderes. Por isso, não acredita que a proposta que tramita no Congresso irá enfrentar o problema, porque criminaliza o nepotismo direto, mas não impede que seja mantido o nepotismo cruzado. ''A estratégia está errada'', avaliou ele, ao lembrar que existe uma proposta de grande redução do número de cargos comissionados em todos os poderes, de autoria de José Genoino (PT) quando deputado federal, que ele não entende porque se encontra engavetada e não volta a ser discutida agora que o PT está no poder.
O coordenador observou que com poucos cargos a serem preenchidos, políticos, juízes e administradores públicos teriam que ter como preocupação principal nomear pessoas que se mostrassem eficientes, sob pena de serem diretamente prejudicados. Dessa forma, segundo ele, o nepotismo iria perdendo espaço naturalmente.
O ministro do Controle e Transparência, Waldir Pires, concordou com Abramo e creditou parte da corrupção e a criação desenfreada de cargos comissionados ao modelo de administração adotado no País a partir do golpe militar. ''Acredito sim que a diminuição do poder de nomeações para os três poderes ajudará a combater muitos males'', afirmou. Ele defende, porém, a criminalização do nepotismo, e reconheceu dificuldade para se aprovar um projeto como o de Genoino em curto prazo. ''Não é uma tarefa fácil, herdamos um modelo caduco, viciado'', afirmou ao garantir que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem interesse em enfrentar o problema.


