São Paulo - A organização não-governamental Transparência Brasil, associada à Transparency International, lançou ontem a campanha ''Voto Limpo 2002''. O objetivo da campanha é criar um mecanismo permanente de prevenção e combate à corrupção. Para chamar a atenção sobre a questão da corrupção, a ONG pretende usar as próximas eleições como tema central da campanha e, assim, estimular o eleitor a buscar informações e conhecer melhor os candidatos em quem pretende votar. Segundo o presidente da Transparência Brasil, Eduardo Capobianco, apesar de o combate à corrupção ser considerado um item prioritário nas discussões políticas, no primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, realizado no último domingo pela TV Bandeirantes, nem os jornalistas nem os presidenciáveis abordaram o assunto. ''A palavra corrupção não foi citada durante o debate, era como se ela não existisse'', disse.
De acordo com Capobianco, o Brasil recebeu nota 4,0, no Índice de Percepções de Corrupção de 2001 da Transparência Internacional, em uma escala que vai de zero a 10, este último para os países mais íntegros. ''O vírus da corrupção está solto, disseminado na sociedade, temos que ficar atentos e mobilizados'', enfatizou.
O secretário-geral da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, ressalta que a campanha quer estimular no eleitor, nas comunidades e nas entidades organizadas da sociedade civil o exercício da reflexão sobre as propostas dos futuros governantes, senadores e deputados. ''Quem é o candidato, o que ele propõe, quem financia a campanha dele e porque, são questões que devem ser consideradas'', disse.

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