Curitiba - A onda de denúncias e escândalos envolvendo políticos em Brasília deve repercutir nos trabalhos da Assembléia Legislativa, que retorna aos trabalhos na próxima segunda-feira. A avaliação é do deputado estadual Plauto Miró (PFL), que acredita que o número de investigações sobre os atos da administração pública em todos os níveis irá aumentar.
''A sociedade quer o fim da corrupção em todas as esferas: federal, estadual e municipal. Essa cobrança com certeza irá repercutir não só na Assembléia Legislativa mas também nas Câmaras de Vereadores'', acredita Plauto.
Os parlamentares paranaenses estarão com o ''caminho aberto'' para criar novas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) no segundo semestre. Com o encerramento das CPIs da Reforma Agrária e do Porto de Paranaguá em junho, a Assembléia não tem nenhuma comissão de inquérito instalada no momento. Pelo regimento interno da Casa, há espaço para a criação de até cinco CPIs simultâneas no segundo semestre.
O próprio Plauto pretende viabilizar a instalação de uma nova comissão a partir de julho: a CPI dos Bingos. ''Eu havia proposto a criação dessa CPI para investigar as denúncias de que os bingos teriam financiado a campanha do governador Roberto Requião (PMDB) ainda no primeiro semestre, mas não obtive as 18 assinaturas necessárias para sua instalação. Com as recentes investigações sore os bingos e as denúncias de caixa 2 em campanhas eleitorais em Brasília, espero conseguir sensibilizar os deputados e atingir o número de assinaturas necessárias'', explicou Plauto.
Para atingir seu objetivo, Plauto espera que a bancada de oposição na Assembléia aumente nos próximos meses. ''Hoje temos sete ou oito integrantes. Mas há a expectativa que, com a proximidade das eleições do ano que vem, mais deputados juntem-se a oposição'', ressaltou Plauto. Recentemente, quatro deputados do PPS declararam sua independência em relação ao Palácio Iguaçu já em virtude de disputas eleitorais relativas a 2006. O PT também ameaça com um distanciamento maior de Requião a partir do segundo semestre.
Até agora, a única CPI prevista para começar os trabalhos em agosto é a do Fundo do Desenvolvimento do Estado (FDE), proposta pelo deputado Neivo Beraldin (PDT). Segundo Beraldin, o FDE foi utilizado para conceder benefícios ilegais a grandes empresas, como as montadoras Audi e Renault. Outra possibilidade, embora remota, é uma CPI para investigar os gastos dos governos Jaime Lerner (PSB) e Requião com publicidade. Com frequência, deputados da oposição e da base governista ameaçam instalar uma CPI da Publicidade para verificar qual dos dois governantes gastou mais e como foram realizados os gastos. Mas como as investigações poderiam respingar para os dois lados, a instalação da CPI é sucessivamente postergada.
Outro ponto que pode render pano para a manga no segundo semestre são as investigações dentro da própria Assembléia. Em junho, denúncias de funcionários fantasmas (nos gabinetes dos ex-deputados Luiz Carlos Zuk e Felipe Lucas) agitaram os bastidores do Legislativo paranaense. O Ministério Público investiga pelo menos duas dezenas de casos semelhantes, o que pode aumentar a temperatura da Assembléia caso venham a ser comprovados.

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