A tão propalada corrupção e falta de ética nos meios políticos estão atraindo o jovem a participar das eleições deste ano. Movidos por um sentimento de indignação, a experiência de votar pela primeira vez e de poder participar colaborou para que jovens entre 16 e 18 anos, que têm o voto facultativo, enfrentassem filas nos cartórios eleitorais na última semana, quando expirou o prazo para o eleitor regularizar sua documentação. A Justiça Eleitoral de Londrina ainda não têm números exatos. Lideranças estudantis estimam que cerca de 1,5 mil estudantes procuraram os cartórios nos últimos dias em busca da oportunidade de exercer seu voto, em outubro próximo.
Na última terça-feira, véspera do prazo final para o acerto de contas com a Justiça Eleitoral, rostos de jovens chamavam a atenção na longa fila formada em volta do fórum. A maioria estudante secundarista. Acompanhado de seu pai, o estudante, Daniel Luís Fabene dos Santos, não se importou em aguardar uma hora e meia na fila para fazer o seu título de eleitor. ‘‘Tenho interesse no meu País’’, discursou ele, citando a política salarial e a corrupção como problemas graves que assolam a sociedade brasileira.
O estudante Diego Fontes vai votar pela primeira vez em outubro e garante que já tem candidato. Com apenas 16 anos, Renata Sayumi afirma que tomou sozinha a decisão de participar das eleições este ano. ‘‘Mas na minha classe são poucos os que vão votar’’, atestou ela. Já Marcos Santiago, que está no segundo colegial, acredita que o jovem está mais interessado em política. ‘‘Pretendo votar porque acho que assim ajudo o País’’, afirmou o estudante.
A União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES) realizou nos últimos dias uma extensa campanha para incentivar o voto facultativo do jovem com idades de 16 e 17 anos. Ônibus foram colocados nos horários das aulas para levar os estudantes da escola aos cartórios eleitorais. A direção da entidade avalia a campanha como bem sucedida e acredita que as seguidas denúncias de corrupção que assolam diversos municípios acabaram influenciando positivamente.
‘‘Nosso trabalho foi envolver o estudante no debate. O objetivo é aprender a desenvolver a democracia, aproveitando que há uma dose de insatisfação e de indignação’’, afirma o presidente da entidade, Adriano Louzado. Ele afirma que as notícias seguidas de denúncias de desvios envolvendo municípios como Londrina e São Paulo aguçaram a sensibilidade do jovem. O secretário da entidade, Rafael Augusto Silva, que participou pela segunda vez da campanha, afirma que este ano, especialmente, o estudante se mostrou mais interessado.
Embora não exista uma estatística oficial quanto à participação do jovem, o juiz eleitoral Dimas Hortêncio de Mello, acredita que este ano o interesse foi maior. ‘‘O adolescente está mais politizado e deseja participar’’, analisou o juiz. Ele concorda que as seguidas notícias de corrupção no meio político acaba sendo um ingrediente que desperta o interesse do eleitor de primeira viagem. ‘‘O jovem está consciente que pode ajudar a escolher o seu representante’’.
A diretora da Escola Estadual Newton Guimarães reconhece a indignação que toma conta do jovem. ‘‘O adolescente repudia tudo isto que está acontecendo’’, descreve a diretora a respeito das denúncias de corrupção e de desvios de recursos públicos. Segundo ela, nas atividades de classe sobre os 500 anos do descobrimento do Brasil, muitos estudantes avaliaram os problemas brasileiros, elencando o tema política como um dos mais importantes. ‘‘Acho que chegou o momento do estudante se dar conta. De se perceber sujeito e cidadão’’, afirmou a diretora.

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