Em discurso para cerca de 800 manifestantes reunidos pelo PT em frente ao Palácio Piratini, após a reunião de Porto Alegre, o governador gaúcho Olívio Dutra (PT) citou a Revolução Farroupilha (1835 a 1845) para ilustrar a luta dos Estados na renegociação de suas dívidas com a União. ‘‘Os farroupilhas se bateram no início do século para que o Rio Grande do Sul não fosse um mero rabo de pandorga do império central’’, disse. Olívio conclamou a população a ‘‘dar um basta’’ ao governo federal que ‘‘submete os Estados à sua macroeconomia’’, a qual, por sua vez, está vinculada aos interesses financeiros internacionais. Segundo o governador, enquanto é ‘‘submissa’’ aos interesses do FMI, a União mantém uma atitude ‘‘imperial’’ com os Estados.
Ontem, na capital gaúcha, também foi decidida a criação de uma frente parlamentar de defesa dos Estados, numa reunião entre deputados estaduais, federais, prefeitos e lideranças políticas. A primeira reunião da frente deve ocorrer em 16 de março, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais - e depois será organizada uma marcha a Brasília. A informação é do vice-governador do Rio Grande do Sul, Miguel Rossetto (PT).
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) sugeriu, na capital, que o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), seja o interlocutor entre os governadores e o governo federal na negociação sobre as dívidas dos Estados. ‘‘Esse movimento precisa ir para São Paulo’’, afirmou Erundina. ‘‘Quando há uma crise desse porte, o impacto é maior sobre São Paulo do que sobre qualquer outro Estado’’, disse. Erundina defendeu a mobilização a partir de São Paulo. ‘‘É preciso que façamos um encontro para formar um grande movimento nacional’’, afirmou.

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