‘‘Para quem pretendia ganhar com pirotecnia política, o momento deve ser de apreensão’’, afirmou Olívio Dutra (PT) - apontado pela pesquisa de boca-de-urna do Ibope como vencedor da disputa ao governo gaúcho - numa referência a Antonio Britto (PMDB). Vestido com uma camisa vermelha, presente de sua mulher, Judite, o candidato do PT garantiu que, caso seja eleito, não permitirá que o Rio Grande do Sul fique isolado. Mas não disse nem sim nem não para o apelo de diálogo que o presidente Fernando Henrique Cardoso vem fazendo à oposição. ‘‘Não temos motivo para ir com muita sede ao pote’’, argumentou. ‘‘Só o que posso assegurar é que nenhum de nós agirá isoladamente.’
Para Olívio, o presidente não anunciou o pacote de ajuste fiscal ‘‘por temer que medidas impopulares enfraquecessem os seus candidatos nos Estados’’. No Rio Grande do Sul, por exemplo, Fernando Henrique deu aval a Britto. Um anúncio publicado sábado na capa dos jornais Zero Hora e Correio do Povo, a mando do PSDB gaúcho, estampava a foto do governador licenciado e do presidente tomando chimarrão. Além disso, Fernando Henrique declarava que agirá ‘‘com mais facilidade’’ em favor do Rio Grande do Sul se o governador for Britto.
O fato provocou grande confusão. No direito de resposta concedido pela Justiça Eleitoral, e publicado ontem depois que exemplares do Zero Hora foram recolhidos das bancas, a coligação Frente Popular (PT, PSB, PCB e PC do B) sustenta que, embora Britto diga que suas relações de amizade com o presidente serão favoráveis para o Estado, o Rio Grande do Sul ocupa o último lugar em investimentos por habitante no Orçamento da União.
‘‘O presidente pode apoiar quem quiser como cidadão, desde que mantenha a posição de respeito no relacionamento entre o Estado e o Planalto’’, observou Olívio, contente com as manifestações de carinho recebidas. Depois de tomar café da manhã com dirigentes da Frente Popular e com o prefeito de Porto Alegre, Raul Pont, que é do PT, Olívio fez uma visita ao presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Élvio Schuch Pinto.
Lá chegando, deparou-se com um grupo de militantes - homens, mulheres e crianças - usando uma réplica de seu farto bigode, que virou marca da campanha petista nas ruas. O bigode, de lã ou de camurça, é vendido em bancas de Porto Alegre por R$ 1,00. ‘‘É uma manifestação espontânea e vejo isso com muita simpatia’’, disse o candidato.
A capital gaúcha viveu ontem o desfecho da campanha mais animada dos últimos tempos. ‘‘Nunca vi coisa igual como a festa em que se transformou esta eleição aqui’’, disse o corregedor regional eleitoral, Oswaldo Stefanello. No fim da tarde, o trânsito ficou congestionado. Tanto que a caminhonete que transportava Olívio não conseguiu chegar ao Colégio São João onde ele votou, às 15h30, como previsto. O candidato resolveu, então, descer e andar um quarteirão até a escola. O petista distribuiu autógrafos e foi muito aplaudido. Houve um empurra-empurra quando ele chegou à sua seção eleitoral.‘‘Boa sorte!’, gritavam os militantes. No final da tarde, Olívio foi para o comitê e avisou que não comentaria as pesquisas de boca-de-urna.

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