Olívio diz que nenhum Estado honrará contas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Agência Estado 
O governador gaúcho Olívio Dutra (PT) previu ontem, em pronunciamento no rádio e na TV, que dentro de pouco tempo nenhum Estado poderá suportar o peso da dívida que possui com a União. (...) Em breve, nem nós (o Rio Grande do Sul) e nenhum outro Estado da Federação poderão pagar este acordo injusto, afirmou Olívio, em pronunciamento transmitido por 267 emissoras de rádio e seis de TV do Estado no início da noite. Ele chamou uma mobilização da sociedade gaúcha em defesa da repactuação da dívida como único caminho para que o Rio Grande cresça com justiça. Atualmente, o Estado repassa ao governo federal 12,5% de sua receita líquida real, o que significará cerca de R$ 850 milhões em 1999.
Segundo Olívio, o governo federal renegociou seus compromissos com os credores estrangeiros mas, no plano interno, baniu as palavras diálogo e negociação. Reclamou que, devido à política dos juros altos praticada pela União, o débito do Rio Grande triplicou nos últimos quatro anos. E notou que durante o governo anterior - de Antonio Britto (PMDB), aliado de FHC - o comprometimento da receita com o pagamento da dívida não ultrapassava 5% da arrecadação.
A situação é clara, disse. Pagar do jeito que foi negociado inviabiliza qualquer investimento público. Teremos prejuízos sérios para a saúde, educação, os programas de geração de empregos, de apoio à agropecuária e infra-estrutura, assinalou. Ele disse que, desde que assumiu o governo, tem adotado uma postura séria e responsável para resolver o problema da dívida do Rio Grande do Sul em defesa do pacto federativo.
Após observar que o Estado está em dia com os compromissos financeiros nacionais e internacionais, Olívio recordou que a primeira parcela da dívida com a União - R$ 31,2 milhões, depositados em juízo, com o assentimento do STF, no dia 15 de janeiro - foi paga com enorme sacrifício.


