O governador gaúcho Olívio Dutra (PT) previu ontem, em pronunciamento no rádio e na TV, que dentro de pouco tempo nenhum Estado poderá suportar o peso da dívida que possui com a União. ’’(...) Em breve, nem nós (o Rio Grande do Sul) e nenhum outro Estado da Federação poderão pagar este acordo injusto’’, afirmou Olívio, em pronunciamento transmitido por 267 emissoras de rádio e seis de TV do Estado no início da noite. Ele chamou uma mobilização da sociedade gaúcha em defesa da repactuação da dívida como único caminho ‘‘para que o Rio Grande cresça com justiça’’. Atualmente, o Estado repassa ao governo federal 12,5% de sua receita líquida real, o que significará cerca de R$ 850 milhões em 1999.
Segundo Olívio, o governo federal renegociou seus compromissos com os credores estrangeiros mas, no plano interno, ‘‘baniu as palavras diálogo e negociação’’. Reclamou que, devido à política dos juros altos praticada pela União, o débito do Rio Grande triplicou nos últimos quatro anos. E notou que durante o governo anterior - de Antonio Britto (PMDB), aliado de FHC - o comprometimento da receita com o pagamento da dívida não ultrapassava 5% da arrecadação.
‘‘A situação é clara’’, disse. ‘‘Pagar do jeito que foi negociado inviabiliza qualquer investimento público. Teremos prejuízos sérios para a saúde, educação, os programas de geração de empregos, de apoio à agropecuária e infra-estrutura’’, assinalou. Ele disse que, desde que assumiu o governo, tem adotado ‘‘uma postura séria e responsável para resolver o problema da dívida do Rio Grande do Sul em defesa do pacto federativo’’.
Após observar que o Estado está em dia com os compromissos financeiros nacionais e internacionais, Olívio recordou que a primeira parcela da dívida com a União - R$ 31,2 milhões, depositados em juízo, com o assentimento do STF, no dia 15 de janeiro - foi paga ‘‘com enorme sacrifício’’.

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