O governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), está convidando seus colegas de todos os Estados para a reunião do próximo dia 5 de fevereiro, em Porto Alegre, quando deverá ser tomada uma posição conjunta pela renegociação das dívidas estaduais junto à União. Ele informou ontem na capital gaúcha que já telefonou para os governadores Mário Covas (PSDB), de São Paulo; Jarbas Vasconcelos (PMDB), de Pernambuco; Dante de Oliveira (PSDB), do Mato Grosso; Amazonino Mendes (PFL), do Amazonas; Esperidião Amin (PPB), de Santa Catarina; Cezar Borges (PFL), da Bahia; e José Maranhão (PMDB), da Paraíba.
‘‘A repactuação da dívida dos Estados não é questão pessoal de um governador e nem dos partidos de oposição’’, explicou Olívio. Na opinião dele, mesmo os governadores alinhados ao presidente Fernando Henrique Cardoso são vítimas da ‘‘distorção do pacto federativo’’ e da política macroeconômica do governo federal, ‘‘causas da atual crise sobre a qual é preciso conversar, refletir e tirar uma posição conjunta’’.
Olívio espera que antes do dia 5 o presidente da República receba a comissão definida no encontro dos governadores de oposição, segunda-feira, em Belo Horizonte (MG). Ele faz parte do grupo ao lado de Ronaldo Lessa (PSB), de Alagoas, e de Anthony Garotinho (PDT), do Rio de Janeiro. Garotinho já fez contato com Fernando Henrique Cardoso mas ainda não recebeu a confirmação da audiência.
Mas segundo disse ontem em Brasília o ministro do Orçamento e Gestão, Paulo Paiva, o presidente Fernando Henrique não abrirá mão dos acordos de renegociação da dívida já assinados com os Estados. Paiva ressaltou, contudo, que o governo não está ‘‘evidentemente’’ fechado ao diálogo.
De acordo com o ministro, o presidente aceita conversar com os governadores, em um processo de entendimento individual. FHC já anunciou que não se reúne com os governadores ‘‘em grupo’’. Paulo Paiva observou que a hipótese de uma renegociação coletiva não pode ser descartada, mas que somente seria politicamente viável se os 27 Estados apresentassem uma proposta conjunta consensual.
A possibilidade da eventual revisão dos termos de cada contrato está, conforme o ministro, associada à apresentação de propostas concretas de medidas com o objetivo de sanear estruturalmente as contas estaduais.
Para o ministro Paiva, a discussão desencadeada pelos governadores eleitos pelos partidos de oposição, sob a liderança do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, é uma discussão política e, por isso mesmo, o apropriado é tratá-la também politicamente.

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