O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, rebateu ontem as suspeitas de irregularidades na licitação para a compra de equipamentos de rádio-transmissão para a Polícia Civil. Segundo ele, a compra foi suspensa por sua iniciativa para que uma comissão técnica possa analisar a qualidade dos equipamentos Motorola fornecidos pela empresa Control, de São Paulo. A Control foi a vencedora da licitação.
A versão de Oliveira para a suspensão da concorrência não foi a mesma apresentada ontem pelo delegado chefe da Polícia Civil, Toleb Baleche, à Folha de Londrina. ‘‘Como membro do conselho diretor do Funrespol, pedi vistas do processo antes da homologação da licitação para verificação de possíveis irregularidades formais’’, afirmou. Segundo Baleche, os equipamentos oferecidos pela Control são ultrapassados.
O primeiro a questionar a eficiência dos equipamentos foi o delegado Silvan Rodney Pereira, chefe da Divisão de Telecomunicações da Polícia Civil. ‘‘O modelo analógico apresenta vários inconvenientes, como a não garantia do sigilo das transmissões. Os modelos troncolizados (trunking) são melhores’’, explicou. Pereira disse que o edital da concorrência especificou o modelo analógico, o que impediu a participação dos fabricantes do modelo trunking na licitação.
Cândido de Oliveira contesta as explicações dos delegados. ‘‘Isso é resultado do lobby feito pela Ericsson, que ofereceu coquetel para os delegados de polícia no Hotel Bourbon’’, acusou o secretário. Ele desafiou qualquer pessoa a apresentar provas de irregularidades na licitação, no valor de R$ 1,9 milhão. A comissão nomeada por ele tem até o dia 16 para emitir parecer sobre a qualidade técnica dos equipamentos analógicos oferecidos pela Control. O secretário disse que esta é a primeira de um total de quatro licitações para a informatização da Polícia Civil, no valor final de aproximadamente R$ 8 milhões.
Toleb Baleche e Silvan Pereira negam a influência da Ericsson no processo. Pereira disse que técnicos da Ericsson foram convidados pelo delegado Armando Garcia, do Serviço de Comunicação da polícia, a explicar o funcionamento do sistema trunking. ‘‘A Ericsson alugou uma sala no Bourbon para a reunião e serviu apenas café e bolachas. O secretário da Segurança foi convidado para essa reunião e não compareceu’’, afirmou Pereira.
Baleche classificou de ‘‘absurda’’ a suspeita lançada pelo secretário da Segurança de que os delegados estariam sendo influenciados pela Ericsson.

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