A proposição do projeto e a aprovação de uma lei municipal que autorizou o fechamento do loteamento da Estância Bom Tempo, na Zona Sul de Londrina, mediante suposto pagamento de propina de R$ 120 mil ''maquiados'' como serviços de infra-estrutura para o condomínio renderam ontem a denúncia de oito vereadores e ex-vereadores pelos crimes de formação de quadrilha e concussão. A medida, protocolada à tarde, no Fórum, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), aponta como participantes de eventual esquema os já renunciados Henrique Barros (sem partido) e Orlando Bonilha (PR), os afastados judicialmente - sem prejuízo da remuneração de R$ 5,7 mil - Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido), Renato Araújo (PP), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Jamil Janene (PMDB) e o presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB).
O caso vinha sendo investigado pelo Gaeco há pelo menos dois meses, após dois representantes da associação de moradores da Bom Tempo admitirem, em depoimentos prestados ao Gaeco, que teriam de pagar contrapartida formal consistente na execução de obras públicas, além do pagamento da importância em dinheiro que teria sido ilicitamente exigida pelos denunciados. Entre as contrapartidas - obras no município - estavam asfalto em Guaravera e Lerroville. O projeto acabou sendo assinada por Araújo e Bergamin.
Conforme a denúncia do Gaeco, dentre eventuais ''ajustes entabulados'' entre o grupo teria sido sido estabelecido de modo especial que todos, ''além de outros possivelmente, votariam favoravelmente à aprovação do projeto de lei de interesse da Sociedade Estância Bomtempo, caso os seus representantes (Carlos e Cláudio) viessem a concordar com as exigências que lhe seriam feitas. Da mesma forma, foi ajustada entre todos a divisão de valores que viessem a ser arrecadados por meio das exigências que seriam feitas aos representantes da Sociedade Estância Bomtempo''. A divisão dos R$ 120 mil supostamente obtidos ilicitamente, continuam os autos, teria sido feita ''em partes desiguais'' entre os denunciados, de modo que caberiam a Araújo e Bergamin os contatos com as vítimas e a ''execução das exigências, o recebimento e a divisão dos valores que fossem arrecadados dos ofendidos''.
Jorge Barreto, um dos promotores que assinam a denúncia, disse ter sido apurado também, na investigação, o lançamento de notas fiscais que simularam, aos condôminos da Bom Tempo, a aquisção de mercadorias ou prestação de serviços - dinheiro que teria sido empregado, defende, em suposto pagamento de propina. Segundo Barreto, na denúncia, formulada após depoimento de Bonilha, de manhã, é pedida à Justiça que determine ao delegado do Gaeco, Alan Flore, abertura de inquérito para ''aprofundar as investigações'' em torno de Marcelo Belinati e Sandra Graça (ambos do PP), já delatados por Bonilha, nesse caso, mas deixados ontem de fora por ele. ''Sobre ambos, entendemos apenas que é necessária uma apuração mais profunda'', resumiu o promotor.

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