Oito réus depõem em ação de 1998
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
Sete anos após o ajuizamento da ação civil pública por improbidade administrativa que denuncia 212 contratações irregulares na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), foram interrogados ontem oito dos 53 réus da demanda de autoria do Ministério Público (MP).
A ação, ajuizada em 1998 pelo então promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galati (hoje procurador), pede o ressarcimento de R$ 58 mil, valor que teria sido pago aos funcionários contratados pela companhia sem concurso público. De acordo com a ação, dos 212 funcionários, 44 trabalhavam nos gabinetes dos vereadores Orlando Bonilha (PL - e atual presidente do Legislativo), Jorge Scaff, Jacy Aguiar, Célio Guergoletto e Carlos Kita. A ação ainda denuncia 38 funcionários fantasmas na Comurb. Todos os parlamentares foram intimados a depor hoje na 10 Vara Cível. Também foram intimados o ex-presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, e o ex-diretor administrativo-financeiro, Eduardo Alonso. Guergoleto não foi localizado pela Justiça e Alonso, que reside em Ji-Paraná (RO), requereu no processo que fosse ouvido por carta precatória.
Conforme o MP, Bonilha teria se apropriado dos vencimentos de funcionários da Comurb. ''Demonstrou-se que o requerido Orlando Soares Proença, conhecido por Orlando 'Bonilha', aproveitou-se do 'esquema' político de contratação de funcionários para incluir parentes e amigos, com o propósito deliberado de obter vantagem ilícita, ao receber para si os pagamentos efetuados pelo órgão público'', diz trecho da ação. Entre os contratados estão a esposa do vereador, o irmão, um cunhado e um irmão de um cunhado. A média salarial dos funcionários era de R$ 500, cerca de quatro salários mínimos na época.
Constrangido com a presença da imprensa no corredor de acesso à 10 Vara Cível, Bonilha não quis dar declarações sobre as acusações do MP. Segundo a Folha apurou, no depoimento prestado ao juiz Alvaro Rodrigues Júnior, Bonilha teria admitido que indicou pessoas para a Comurb. A advogada do vereador, Gabriela Roberta Silva, disse que ''tudo vai ficar esclarecido e que não houve nenhum ato ilícito por parte de Bonilha e de Jorge Scaff'', que também representa.
O advogado de Tóffoli, Ronaldo Neves, afirmou que ele não tinha idéia do número necessário de contratações e que não tomou conhecimento das supostas irregularidades. ''As contratações que foram feitas pelo departamento apropriado e sob orientação do diretor da época, o senhor Eduardo Alonso, porque o Cléber Tóffoli acumulava a função de secretário da Educação e o exercício de fato dessa presidência era do Eduardo Alonso'', relatou Neves. ''Não se tinha uma idéia exata dos funcionários que seriam necessários. Houve um estudo prévio por parte do departamento pessoal em conjunto com as informações passadas pela Grande Londrina e Francovig, e em função disso chegou-se a esse número. Nós não sabemos até hoje porque nos desligamos da administração, qual seria na realidade, o número necessário de contratações'', concluiu.
Nenhum outro ex-vereador citado concedeu declarações à imprensa após o interrogatório. Os demais réus serão ouvidos pela Justiça até quinta-feira. A ação pede a aplicação das sanções da lei de improbidade administrativa que vão desde a suspensão dos direitos políticos, perda da função pública e proibição de contratação com o poder público.


