Oito 'deputados-candidatos' engordam patrimônio
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quarta-feira, 18 de julho de 2012
José Lazaro Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Candidato a prefeito de Curitiba pelo PSC, o deputado federal Ratinho Jr lidera o ranking de evolução patrimonial dos políticos paranaenses com mandato no Legislativo que disputam eleições majoritárias neste ano. A declaração de bens protocolada na Justiça Eleitoral revelou um inventário de R$ 7,5 milhões, grande parte em ações da empresa Agropastoril Café No Bule, no valor de R$ 5,6 milhões. Localizada em Apucarana, a propriedade rural também produz milho, feijão, soja e lida com inseminação artificial bovina.
Na eleição anterior, em 2010, Ratinho Jr havia apresentado à Justiça Eleitoral uma declaração de bens 290% menor, no valor de R$ 1,9 millhão, numa relação cujos principais ativos eram imóveis residenciais. O outro deputado federal que disputa a eleição de Curitiba, Rubens Bueno (PPS), vice na chapa de Luciano Ducci (PSB), declarou patrimônio de R$ 1,2 milhão, composto por quatro imóveis, aplicações financeiras e um automóvel Gran Vitara modelo 2011. Em 2010, o pepessista havia declarado R$ 1,1 milhão.
Levantamento do portal de notícias G1 sobre o patrimônio dos candidatos a prefeito das capitais brasileiras carimbou Ratinho Jr como o oitavo mais rico do país, atrás das fortunas de Mauro Mendes (PSB-MT), R$ 116 milhões; Márcio Lacerda (PSB-MG), R$ 58 milhões; Reinaldo Azambuja (PSDB-MS), R$ 32 milhões; Carlos Amastha (PP-TO), R$ 18 milhões; ACM Neto (DEM-BA), R$ 13 milhões; Gabriel Chalita (PMDB-SP), R$ 11,5 milhões; e Castelo (PSDB-MA), R$ 8,5 milhões, que disputa a Prefeitura de São Luís. A lei eleitoral obriga os candidatos a apresentarem declarações de bens no ato de registro da candidatura, possibilitando à população conhecer a fortuna de cada um e, no caso de políticos de carreira, a evolução patrimonial, ao comparar com documentos de eleições anteriores.
No Paraná, dos dez deputados estaduais que disputam prefeituras, cinco protocolaram na Justiça Eleitoral declaração de bens que mostram uma oscilação de patrimônio superior a 25%, enquanto a outra metade manteve-se no patamar registrado em 2010, quando ganharam uma cadeira na Assembleia Legislativa.
O maior aumento foi registrado por Augustinho Zucchi (PDT), na ordem de 140%. Em 2010, ele possuía R$ 430 mil em bens, que subiram para R$ 1 milhão neste ano, após a aquisição de um apartamento em Curitiba, avaliado em R$ 720 mil. Ele esclareceu à reportagem que o imóvel está financiado e vai ser pago em 30 anos. ''A população tem todo o direito de ter acesso a esses e outros dados. Eu defendo que os meios de comunicação, que são concessões públicas, também publiquem quanto pagam para o Faustão, por exemplo'', provoca Zucchi, candidato à Prefeitura de Pato Branco.
A declaração de bens do Professor Lemos (PT), que disputa a eleição em Cascavel, registrou o segundo maior aumento entre os deputados estaduais, de 84%, consolidando um patrimônio de R$ 435 mil. Nos últimos dois anos, o político também adquiriu imóveis, no valor de R$ 230 mil. Com R$ 1,2 milhão em bens declarados, Cheida (PMDB) teve aumento de 27% e tenta eleger-se prefeito em Londrina.
Já Péricles de Mello (PT) e Dr. Batista (PMN) tiveram redução de bens nos últimos dois anos, com perdas de 36% e 25% respectivamente. O petista se desfez de imóveis em Ponta Grossa, onde concorre à prefeitura, Curitiba e Cascavel, obtendo R$ 248 mil de patrimônio. Seu adversário em Ponta Grossa, o deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) declarou três vezes mais à Justiça Eleitoral, R$ 885 mil.
Em Maringá, a redução de patrimônio do Dr. Batista deu-se com a liquidação de diversas aplicações financeiras, que reduziram os bens declarados de R$ 1 milhão para R$ 793 mil. Candidato na mesma cidade, o deputado estadual Ênio Verri (PT) declarou R$ 701 mil, composto majoritariamente por imóveis. Em 2010, o petista registrou pouco mais, R$ 760 mil.
Sem oscilação de patrimônio significativa nos últimos dois anos, Waldyr Pugliesi (PMDB), candidato a prefeito de Arapongas, declarou R$ 2,2 milhões à Justiça Eleitoral, numa evolução de 9% na comparação com 2010. O deputado mantém metade dos bens em cadernetas de poupança, ficando o maior valor, R$ 575 mil, na Caixa Econômica Federal. Reni Pereira (PSB), candidato em Foz do Iguaçu, declarou R$ 468 mil, pouco menos do que em 2010 (R$ 476 mil), e César Silvestri Filho (PPS), que tenta a Prefeitura de Guarapuava, registrou o menor patrimônio entre os deputados, R$ 161 mil, dos quais R$ 79 mil correspondem a um veículo Land Rover, modelo 2006. Em 2010, ele registrou R$ 153 mil de patrimônio.


