"Identificamos que a maior parte do pagamento foi feita em espécie com o claro objetivo de dissimular a origem do dinheiro", afirma a promotora Leila Schimiti
"Identificamos que a maior parte do pagamento foi feita em espécie com o claro objetivo de dissimular a origem do dinheiro", afirma a promotora Leila Schimiti | Foto: Fabio Alcover/02/03/2017



Em decisão proferida nessa quarta-feira (2), o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, recebeu denúncia protocolada pelos promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) contra o auditor Milton Digiácomo, apontado em fases anteriores com um dos membros da organização criminosa formada por auditores da Receita Estadual do Paraná que exigia propina de empresários sonegadores em troca de aliviar a fiscalização tributária. Na Publicano 1, ao lado de outros 41 réus, foi condenado a 44 anos de prisão.

Na nova denúncia, protocolada em 26 de julho, os promotores Leila Schimiti, Jorge Barreto e Renato de Lima Castro acusam Digiácomo – único réu – de lavagem de R$ 666.666,00, ao adquirir um terreno, em 2013, condomínio de alto padrão Alphaville, pelo valor de mais de R$ 900 mil. "Identificamos que a maior parte do pagamento foi feita em espécie com o claro objetivo de dissimular a origem do dinheiro", disse a promotora Leila Schimiti.

De acordo com a denúncia, embora tenha pago quase R$ 1 milhão, o auditor registrou o terreno por apenas R$ 250 mil, valor que foi depositado em espécie na conta dos antigos proprietários; outros R$ 416 mil teriam sido levados mensalmente, também em espécie, ao endereço comercial dos vendedores; por fim, os R$ 233 mil restantes foram pagos com a entrega de um imóvel de R$ 150 mil e por transferência bancária em três vezes de R$ 27,7 mil. "A origem são crimes antecedentes já apurados nas fases anteriores", afirmou Leila. Na Publicano 1, Digiácomo foi condenado pela prática de 12 crimes de corrupção passiva tributária.

A promotora explicou que o foco do Gaeco, neste momento, é apurar os crimes de lavagem de dinheiro proveniente dos acordos de corrupção. "É um trabalho técnico e relativamente demorado, porque depende do cruzamento de dados obtidos por meio quebras de medidas cautelares, como quebra de sigilo bancário", afirmou.

A Publicano 3 e a 7 são fases em que os processos tratam de suposta lavagem de dinheiro pelo auditor José Luiz Favoreto Pereira e pelo ex-auditor Luiz Antonio de Souza, o principal delator do esquema. As demais fases se referem principalmente a crimes de corrupção. O esquema na Receita começou a ser investigado em junho de 2014 e a primeira fase da operação foi deflagrada em março de 2015. Ao todo, 73 auditores de Londrina e Curitiba foram acusados de integrarem a organização. O suposto líder, Márcio de Albuquerque Lima, foi condenado a 96 anos de prisão na Publicano 1, cuja sentença foi proferida em dezembro do ano passado.

O advogado de Digiácomo não foi localizado no início da noite de ontem.

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