Brasília O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia, disse ontem que o novo modelo de Previdência a ser adotado no Brasil deve levar em conta as peculiaridades do País. Ele ofereceu ajuda técnica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro no Palácio do Planalto, mas evitou opinar sobre pontos polêmicos da reforma, como a cobrança de inativos, a fixação de limite mínimo de idade para aposentadoria no serviço público e tratamento diferenciado para categorias como militares e juízes.
Segundo Somavia, cada país vive condições específicas, sendo assim, de acordo com ele, seria equivocado opinar sobre partes da reforma sem analisar o conjunto do sistema previdenciário brasileiro. A ajuda técnica oferecida a Lula leva em conta a experiência adquirida pela OIT em países onde acompanhou de perto alterações no modelo de previdência.
''Seria fantástico que houvesse um só arranjo previdenciário que se pudesse aplicar ao Brasil e à Suécia'', disse Somavia. ''Algumas coisas são necessárias e outras não, de acordo com as condições de cada país.'' Para ele, o melhor agora é esperar o resultado dos debates com a sociedade, a exemplo do que vai ocorrer, a partir de fevereiro, no âmbito do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social órgão ligado à Presidência, mas com 82 representantes de fora do governo.
Somavia esteve com Lula no fim da manhã, no Planalto. Participaram da reunião os ministros Celso Amorim (Relações Exteriores) e Jaques Wagner (Trabalho), além do secretário extraordinário de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro. À tarde, o diretor-geral da OIT fez a conferência de abertura do seminário Diálogo Nacional sobre a Dimensão Social da Globalização, no Itamaraty.
Segundo Somavia, é absolutamente natural o presidente Lula comparecer ao Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, e ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. ''Nossa obrigação é buscar soluções de diálogo'', disse Somavia, que no ano passado também esteve nos dois fóruns.

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