Ofício pede cassação de Jaci Aguiar
Mais um pedido de cassação de um vereador foi protocolado ontem no Legislativo. Três moradores de Londrina acusam o vereador Jaci Aguiar (PPB) de falta de decoro parlamentar e improbidade por esta envolvido em uma suposta tentativa de suborno ao prefeito Antonio Belinati (PFL). O documento foi encaminhado à Comissão de Justiça da Câmara, que analisa também o caso da vereadora Elza Correia (PMDB) acusada de improbidade.
O grupo que acusa Aguiar é formado pelo comerciante Edson Castro do Nascimento, pelo empresário Reinaldo Araújo e pelo médico Elson Noris. No documento protocolado na Câmara, eles falam do episódio envolvendo Aguiar e o vereador Orlando Bonilha (PDT). Os dois foram acusados por Belinati, que apresentou uma fita de vídeo onde aparece uma suposta negociação para tentar impedir a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito. Na época da acusação (mês passado), o prefeito disse que Aguiar estaria falando em nome de outros vereadores e teria pedido R$ 200 mil para cada parlamentar.
Os três afirmam ainda, no documento, que Aguiar é reincidente na prática de extorsão, se referindo ao caso que ficou conhecido como Escândalo do Leite. O vereador e outras quatro pessoas respondem a ação na Justiça porque teriam pedido dinheiro para não liberar laudos desfavoráveis ao leite tipo C produzido por duas cooperativas da região.
Como de costume, Aguiar foi irônico ao comentar o caso. Ninguém tem moral para cassar meu mandato, disse. O documento protocolado foi lido apenas no final da sessão. Antes disso, o vereador protagonizou um episódio, no mínimo, lamentável. Ele teria sido xingado por algumas pessoas que estavam acompanhando a sessão e, após uma rápida discussão, saiu correndo em direção às galerias.
Na minha terra (quem faz essas acusações) apanha na cara, disse. A agressão física só não aconteceu porque o vereador foi contido por seguranças da Câmara na entrada das galerias. O alvo de Aguiar, um homem que se identificou apenas como Jorge, negou que tivesse insultado o vereador. Estava só tentando acalmar o ânimo delas, alegou, apontando para três mulheres que estavam à sua frente.
As três mulheres negaram qualquer conflito com Aguiar. Elas disseram que estavam na Câmara para defender o prefeito. Se ele é corrupto, os vereadores também são, afirmou a dona de casa Maria de Lurdes da Silva.
O presidente da Câmara, Renato Araújo, considerou o ato de Aguiar como uma insubordinação. Já foi chamada a atenção dele para que se contenha, afirmou.
O vereador Tercílio Turini (PSDB) observou que as denúncias contra Aguiar e Elza Correia foram feitas por munícipes e, por isso, não devem prosperar. Segundo ele, a Constituição Federal, o Regimento Interno e a Lei Orgânica do Município determinam que denúncias contra vereadores podem ser feitas somente pela Mesa Executiva da Casa ou partido político representado na Câmara. Araújo disse que irá aguardar parecer da Comissão de Justiça. (L.O.)





