Oficial de Justiça faz via sacra para intimar governador
Curitiba - Não é fácil a vida de um oficial de Justiça cuja missão seja entregar intimação para Requião. Que o diga Marcos Kormann, encarregado de apresentar ao governador a execução de R$ 1,57 milhão por danos morais contra o desembargador do TJ Sérgio Arenhart. O oficial de Justiça tentou entregar a intimação a Requião pelo menos cinco vezes, sendo barrado três vezes por subordinados do governador nos últimos 20 dias. Tudo está registrado no processo de execução da dívida.
As primeiras tentativas de entrega da intimação foram infrutíferas devido à ausência do governador dos locais de entrega. No dia 6 de abril, Kormann tentou localizar Requião em sua residência no Bigorrilho, na capital, mas foi informado de que o governador reside agora na Granja Canguiri, na Região Metropolitana de Curitiba. No dia 27 de abril, Kormann compareceu à reunião do secretariado realizada no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, mas Requião não compareceu no evento.
O oficial de Justiça voltou a carga no dia 4 de maio, também na reunião do secretariado. Porém, Kormann foi dissuadido de seu intento pelo procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, e pelo diretor da Casa Civil Rogério Carboni. Os dois alegaram que a presença da imprensa no evento poderia causar uma publicidade indesejável a entrega da intimação, sugerindo que Kormann entregasse o documento na mesma tarde, no Palácio Iguaçu.
A tentativa de entregar a intimação na tarde do dia 4 também não surtiu efeitos. Carboni recepcionou Kormann e levou a intimação ao secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana. Posteriormente, Carboni confessou estar surpreso com o valor da dívida judicial, informando que Requião não se encontrava no Palácio Iguaçu.
Kormann insistiu mais uma vez na entrega da intimação no dia 7 de maio, às vésperas da viagem do governador ao Canadá. O clima dessa vez foi mais belicoso. Seguranças barraram o oficial de Justiça, que estava acompanhado de um advogado de Arenhart. Segundo eles, apenas autoridades com convite especial poderiam entrar no Palácio Iguaçu naquele dia, devido a transmissão temporária do cargo de governador para o presidente do Tribunal de Justiça Oto Sponholz.
Devido à insistência de Kormann em permanecer no saguão de entrada do Palácio Iguaçu, Carboni novamente interviu no assunto. Segundo Kormann, Carboni ligou para ele pedindo que ele se retirasse do local ''para evitar mais transtornos''. O oficial de Justiça foi acompanhado até seu carro por seguranças, que segundo ele, apresentavam ''olhares vigilantes e nervosos''.
Agora, Kormann não têm mais motivos para tentar encontrar o governador. Com o pagamento da indenização pela executiva do PMDB na sexta-feira passada, enquanto Requião estava no Canadá, a intimação de Kormann perdeu o valor. (R.S.)





