Oficiais apelam ao nacionalismo em desagravo a Brauer
Eliane Azevedo
Agência Estado
Do Rio
Os discursos do almoço de desagravo ao ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Walter Brauer, hoje, no Clube da Aeronáutica, prometem subir de tom e amplificar a crise militar criada com a demissão do brigadeiro. Indignação é a nossa palavra-chave, disse ontem o brigadeiro Ércio Braga, presidente do clube. Respeito é uma coisa que os militares prezam, mas tem de ser um sentimento recíproco.
Brauer foi demitido depois de entrar em atrito com o ministro da Defesa, Élcio Álvares, por causa do projeto criando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A resistência da Aeronáutica às mudanças seria por causa da perda de atribuições e de receita com a criação da Anac e a privatização dos aeroportos.
Os organizadores esperam a presença de pelo menos 600 pessoas, entre militares, principalmente da reserva, e civis. Brauer já confirmou presença e é certa a participação dos presidentes dos Clubes Naval e Militar. Braga não quis adiantar nomes de militares de peso que vão prestar solidariedade ao ex-comandante. É um almoço de adesão e não temos o controle de quem vai participar, justificou.
O cardápio será francamente nacionalista. Braga, o primeiro orador, vai bater na tecla de que a Aeronáutica tem competência para comandar a aviação civil e a Embraer. A França manda na Embraer, os Estados Unidos nas telecomunicações, a máfia espanhola comanda a água e, do jeito que as coisas vão, os brasileiros vão ter de ocupar seu espaço no quintal, afirmou o brigadeiro, dando uma prévia do discurso durante o almoço.





