São Paulo - A Polícia Federal (PF) fez ontem uma operação contra um esquema de superfaturamento nas obras da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, na região metropolitana do Recife, a cargo da Odebrecht, empreiteira que também é alvo da Operação Lava Jato, que investiga cartel e corrupção na Petrobras.
Na ação, batizada de Fair Play, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. A Polícia Federal vasculhou endereços da Odebrecht e o escritório de parceria público-privada do Governo de Pernambuco. Os agentes também estiveram em endereços de outras empresas e órgãos, em busca de contratos para compará-los com os da Arena Pernambuco (utilizada em apenas cinco jogos no Mundial de 2014).
O nome da operação remete à abertura da Copa das Confederações no Brasil, em 2013. Na ocasião, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pediu fair-play (conduta leal, respeito) à torcida que vaiava a presidente Dilma Rousseff no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Maior construtora do País, a Odebrecht foi a responsável por quatro estádios da Copa - os outros são o Itaquerão, em São Paulo; Maracanã, no Rio; e Arena Fonte Nova, em Salvador. A obra da Arena Pernambuco foi pactuada com a empreiteira na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), morto em um acidente aéreo em agosto do ano passado. Com custo inicial de R$ 530 milhões, saiu, no fim, por cerca de R$ 700 milhões. Segundo os investigadores, o valor dos serviços estaria inflado em R$ 42,8 milhões.
O presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, foi preso em junho, acusado de envolvimento no esquema de cartel e desvio de verbas da Petrobras. No mês seguinte, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato no Paraná, aceitou denúncia contra ele e outros executivos por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

RESPOSTA

A construtora Odebrecht classificou as ações da PF, no âmbito da Operação Fair Play, como "injustificáveis". Por meio de nota, a empreiteira destaca que "tem convicção da plena regularidade e legalidade do referido projeto. A CNO (Construtora Norberto Odebrecht) reafirma, a bem da transparência, que sempre esteve, assim como seus executivos, à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e apresentar documentos sempre que necessário".

GOVERNO

O governo de Pernambuco divulgou nota dizendo "estar seguro" quanto à parceria firmada com a construtora Odebrecht para construção da Arena Pernambuco. A Unidade de Parcerias Público-Privadas, ligada à administração estadual, foi alvo de busca e apreensão realizada pela PF ontem. "O governo do Estado de Pernambuco reafirma a disposição de prestar todos os esclarecimentos necessários", informa a nota. O Estado informou ainda que a licitação para construir o estádio "observou todos os requisitos, prazos e exigências da Lei de Licitações e da Lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs), tanto que foi julgada regular pelo Tribunal de Contas da União e pelo Tribunal de Contas do Estado".

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