Odebrecht acusa MPF de 'distorcer fatos'
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sábado, 31 de outubro de 2015
Agência Estado 
Curitiba - O presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, afirmou à Justiça Federal, ontem, que a força-tarefa da Operação Lava Jato "distorceu fatos" com o objetivo "ilegal" e "cruel" de sujeitá-lo à prisão preventiva. Ele está preso desde 19 de junho, em Curitiba, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Petrobras. "Fica evidente a distorção dos fatos com o objetivo malicioso de atribuir a mim uma intenção de fuga completamente infundada. Trata-se de uma iniciativa não apenas ilegal, como cruel, apenas para me sujeitar a pedido de prisão preventiva", afirmou Odebrecht em defesa escrita entregue ao juiz federal Sérgio Moro - que conduz os processos da Lava jato - antes de ser interrogado.
O interrogatório de Odebrecht, o mais esperado até aqui na Lava Jato dentro do rol de acusados do núcleo empresarial, marca a fase final da ação penal envolvendo ele e outros cinco executivos do grupo - que também negaram relação com o esquema, em depoimentos prestados ontem e na quinta. "Importante esclarecer desde logo que nunca cogitei interferir em investigações", afirmou ele em manifestação escrita ao juiz. Em uma sequência de 60 perguntas e respostas, o presidente da empreiteira tenta rebater argumentos da acusação do Ministério Público Federal, que justificaram o decreto de prisão preventiva. Uma das anotações questionadas pelo empresário foi a que registra: "trabalhar para parar/anular (dissidentes PF...)". Para a Polícia Federal, tratava-se de possível orientação à defesa para atrapalhar as apurações da Lava Jato. "Esta anotação foi feita, portanto, apenas para acompanhar o assunto", sustenta Odebrecht.


