Ocepar e Faep pedem tarifas diferenciadas
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sábado, 07 de fevereiro de 2004
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) querem que o governo do Estado e as concessionárias que gerenciam o pedágio no Paraná estudem uma forma de cobrar tarifas diferenciadas para o transporte de produtos do agronegócio. Estudo feito pelas entidades e entregue ao governador Roberto Requião (PMDB), antes da decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) de suspender o aumento, mostra que o pedágio, se for reajustado como pretendem as concessionárias, terá um impacto no frete desses produtos com destino ao Porto de Paranaguá entre 21,6% e 24,8%, dependendo do percurso realizado.
De acordo com o estudo, que analisa o impacto do pedágio na safra paranaense, os produtores deixarão R$ 60,69 milhões nas praças de pedágio de todo Estado para escoar os 12,54 milhões de toneladas de milho e de soja em grão e farelo previstos para exportação nesta safra. Segundo o engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico da Ocepar, para a soja, que está com o preço em alta, o impacto será menor, mas a alta afetará principalmente o mercado do milho.
Como exemplo, ele mostra o caso de um caminhão que sai de Maringá com destino a Paranaguá, carregado com 27 toneladas de milho, o equivalente a 450 sacas do produto, no valor de R$ 6,75 mil. O preço do pedágio hoje corresponde ao valor de 12,28 sacas. Se houver o aumento, este caminhão pagará R$ 299 de pedágio, o equivalente a 15,57 sacas, ou seja, 21,13% a mais em termos de sacas de milho.
A Ocepar justifica a reivindicação de tarifas diferenciadas em função da importância do setor para a economia paranaense. A exportação de milho, açúcar, café e soja é responsável por 72,88% das cargas escoadas pelo porto e por 36% do valor das exportações. ''Tem pessoas que argumentam que o pedágio de outros estados como São Paulo, por exemplo, é maior do que o do Paraná. Mas não dá para comparar. Lá o volume maior de transporte é de grandes cargas. Aqui, o que predomina é o transporte de produtos agrícolas, onde o pedágio tem um impacto bem maior'', afirma Mafioletti, lembrando que o Porto de Paranaguá escoa 80% do milho e 40% da soja produzidos no Brasil.
Outro argumento é que o setor de agronegócio é um dos mais prejudicados com o reajuste do pedágio, em função do baixo valor de seus produtos, comparativamente com o setor industrial. Enquanto o custo do pedágio representa apenas 0,1% do preço de automóveis, no trecho Curitiba-Foz-Curitiba (nove pedágios), em relação ao milho este custo chega a 4,43% da carga, no trecho Paranaguá-Foz-Paranaguá (dez).
''Alguém vai ter que pagar por isso. E quem acaba pagando é o produtor, que poderia receber mais pela mercadoria, e o consumidor, que vai pagar mais caro pelo alimento'', diz. Mafioletti ressalta que o impacto do pedágio no frete reflete em perda de competitividade da soja e do milho no exterior, principalmente frente aos principais concorrentes no mercado mundial, como Argentina e Estados Unidos.
Questionado sobre a reivindicação da Ocepar, o diretor regional da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, afirmou que a licitação e contratação das seis concessionárias no Paraná, em 1997, prevê regras de funcionamento, que incluem riscos para as empresas e o direito de reajuste anual e que as concessionárias não podem fazer nada com relação a tarifas para determinados setores. ''O governo talvez possa trabalhar com alguma política de subsídio para esses setores'', afirmou.
Chiminazzo lembrou, ainda, que o transporte é um problema estrutural do Brasil, que não incentivou o transporte ferroviário. Com isso, o frete de grãos, que em outros países são transportados pela ferrovia, no Brasil o preço fica bem mais alto, em função dos custos gerados pelo transporte rodoviário.


