Brasília - A obstrução por causa das medidas acabou se transformando ainda em ferramenta estratégica da própria base governista. Para contornar as custosas negociações na Comissão de Orçamento sobre projetos que precisam de autorização para gastos extra-orçamentários, o governo tem editado MPs.
  Em dezembro, foram pelo menos cinco medidas, abrindo créditos extraordinários no total de R$ 11,4 bilhões em favor de vários ministérios. A prática irrita a oposição, pois, editada a MP, o crédito é liberado e o dinheiro é gasto, tornando inócua qualquer discussão.
  Parlamentares da oposição acusam o governo de retirar deputados do plenário para evitar votações de MPs e manter a pauta obstruída como forma de fugir da votação de matérias que não deseja. Isso foi feito no primeiro semestre do ano passado, quando algumas medidas que envolviam gastos extras entraram na pauta. Em 2005, quando o escândalo do mensalão golpeou os principais líderes da base aliada, deixando-a desorganizada, o governo também usou as obstruções para evitar eventuais derrotas.
  A oposição critica o governo ainda por juntar em uma mesma MP assuntos diversos, argumentando que contraria a boa prática legislativa. O Congresso discute alternativas para mudar as regras e reduzir as obstruções, mas não chegou a nenhum resultado até agora. (S.F./AE)

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