Observatório aponta necessidade de aperfeiçoar gestão pública
O promotor Rodrigo Leite Ferreira Cabral, assessor da Procuradoria Geral de Justiça do Paraná, acredita que o crescimento das notificações de crimes contra a administração pública pode decorrer de vários fatores, entre eles "o incremento de denúncias pela população e o aperfeiçoamento dos agentes que apuram esses casos".
"É importante ressaltar que mais notificações não significam que há mais prática criminosa. Muita gente tem a percepção de que hoje há mais corrupção, mas na verdade os agentes de investigação é que estão atuando de forma mais intensa", diz Cabral.
O promotor destaca, entretanto, que muitas irregularidades ainda deixam de ser notificadas. "Sabemos que tanto nos casos de crimes contra a administração pública quanto na criminalidade em geral existe uma chamada cifra negra, que são os crimes que são praticados e não chegam a nenhuma instância de apuração", afirma.
"Nos crimes contra a administração pública, raramente há prisões em flagrante, porque (os crimes) ocorrem dentro das repartições públicas, muitas vezes acobertados pela cumplicidade de outros agentes públicos", afirma Cabral. "Primeiro, os chefes na administração pública precisam dar um exemplo impecável de atuação correta. Segundo, não podem compactuar com ilegalidades. Terceiro, devem promover a necessidade de lealdade às instituições e aos princípios constitucionais, e não aos colegas."
Roni Enara, diretora-executiva no Observatório Social do Brasil, entidade com sede em Curitiba, aponta que um caminho para diminuir esses crimes é aperfeiçoar a gestão pública. "Nos observatórios, o que percebemos é que a maioria dos desperdícios de dinheiro público ocorre por falta de qualificação e conhecimento dos servidores", explica. "Se tivermos processos ajustados, com tudo informatizado, não fica muita brecha para a corrupção. Se não há controles adequados, fica mais fácil desviar e desperdiçar recursos." (F.G.)





