Curitiba - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhado de três ministros, do governador Roberto Requião e de vários prefeitos, esteve ontem, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), anunciando obras de saneamento básico e de habitação que serão realizadas no Paraná dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ao todo, 35 municípios serão beneficiados com investimentos que somam R$ 1,251 bilhão. Em seu discurso, Lula criticou governos anteriores, que segundo ele não investiram adequadamente em saneamento.
O lançamento do PAC no Paraná aconteceu no bairro Guarituba, área de invasão que é uma das regiões mais pobres da RMC. Nela já estão sendo realizadas obras de saneamento que devem beneficiar cerca de 44 mil pessoas. Segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que acompanhou Lula na visita e foi o responsável pela apresentação dos investimentos que serão feitos nesta fase do PAC, inicialmente seriam incluídos projetos apenas de municípios que ficam em regiões metropolitanas ou que tenham mais de 150 mil habitantes. ''Mas como também já existiam onze municípios com menos de 150 mil habitantes e que tinham pedidos praticamente aprovados, nós incluímos também'', explicou o ministro.
Dos R$ 1.251 bilhão que serão aplicados, R$ 1.060 bilhão (ou 85%) sairá dos cofres do governo federal. O restante virá de contrapartidas do Estado (R$ 144,6 milhões) e dos municípios (R$ 39,6 milhões). Deste total, R$ 828,5 milhões serão repassados à Sanepar para execução de obras de implantação ou ampliação das redes de água e esgoto, que devem atingir não apenas os 35 municípios listados no PAC. ''A Sanepar vai atender também o interior, chegando a um total de 109 municípios que serão atendidos nesta fase'', disse Bernardo. Os outros R$ 422,5 milhões irão para projetos de urbanização de favelas. Segundo o ministro, em breve o governo começará também a analisar projetos tanto de habitação quanto de saneamento para outras cidades com menos de 150 mil habitantes, que devem ser incluídos em uma segunda etapa do PAC.
Em seu discurso, Lula criticou governantes anteriores a ele pela falta de investimentos em saneamento. ''Durante muitos anos no Brasil, os administradores públicos não gostavam de fazer obras de saneamento básico. Elas normalmente são obras caras, que ficam enterradas e não dá para um político depois colocar o nome da mãe homenageando ela'', disse. ''É por isso que a gente anda pelo país afora e tem cidades importantes do Brasil que não têm quase nada de coleta de esgoto, numa demonstração de que isso nunca foi uma grande preocupação dos governantes brasileiros'', acrescentou o presidente, afirmando ainda que, entre 1988 e 2001, 300 mil crianças morreram no Brasil por doenças adquiridas pela inexistência de saneamento básico.

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