Obras da Repar inflacionam mercado de Araucária
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As obras de ampliação e modernização da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (região metropolitana de Curitiba), causaram uma pequena revolução econômica e empresarial na cidade. A unidade da Petrobras irá receber um total de R$ 5,4 bilhões. Uma obra tão grande fez com que um contigente de cerca de 15 mil trabalhadores chegasse a cidade, mas esse número pode chegar a 30 mil.
Essa invasão mexeu com o mercado de Araucária. E os efeitos são vistos em todos os lugares. Samir Traya, proprietário da Canadá Imóveis, conta que em média o preço dos imóveis subiu entre 40% a 50%. Isso porque a maior parte dos funcionários contratados para trabalhar nas obras da Repar são de fora do Estado. ''Estamos fazendo muita locação também'', relata.
A movimentação começou há dois anos, quando as obras começaram. Desde então Traya já aumentou a equipe da imobiliária em 20% para atender à demanda. ''A cidade sempre recebeu muita gente de outros Estados, mas com uma obra desse porte a movimentação é maior'', diz. Segundo o empresário, hábito de lidar com gente de todo o Brasil a imobiliária já tinha. Isso porque Araucária concentra muitas empresas de grande porte e tem recebido muita gente de fora. ''Não tivemos dificuldade para atender à demanda porque já temos essa experiência'', completa.
Para Katia Krzesik, gerente executiva da Associação Comercial de Araucária, o comércio da cidade vive um boom. ''Essas pessoas que vieram de fora acabam comprando tudo por aqui. O comércio registra um crescimento forte graças a isso'', aponta. Pedro Cesar Rychur Santos, gestor do projeto de Petróleo e Gás do Serviço de Apoio ao Empreendedor e Pequeno Empresário (Sebrae), relata uma situação que ilustra bem como o comércio lucra com os trabalhadores da Repar. ''Teve um grupo de baianos que estavam trabalhando na Repar de bermuda, mas quando o tempo esfriou eles passaram a ir trabalhar de gorro, luva, cachecol, produtos que eles jamais iriam adquirir na terra deles'', conta.
Há ainda as empresas que conseguiram se tornar fornecedoras da Petrobras e das empresas que trabalham nas obras de ampliação. Caso do restaurante de Pedro Paulino Basso. Dono de uma pequena empresa, Basso fornece hoje 3,5 mil refeições para hotéis e pousadas que abrigam os trabalhadores temporários da Repar. O serviço extra garantiu emprego para 35 novos funcionários. Mas também teve outra consequência: a melhoria no padrão de atuação da empresa.
Isso porque a Petrobras exige respeito aos padrões da empresa na qualidade e nas relações com trabalhadores de todos os fornecedores, inclusive os que trabalham para empresas terceirizadas. Na firma de Basso, trabalhador em situação de informalidade, nem pensar. A empresa precisa garantir remuneração e benefícios compatíveis com os ofertados pela estatal.
Outra empresa que investiu para conseguir atender à demanda gerada pela Petrobras foi a de Hussein Hissam, gerente-geral do Hotel Colônia. A família de Hissam tem diversos hotéis e pousadas para comportar funcionários contratados pelas empreiteiras que trabalham na Repar. No Colônia ficam os trabalhadores que ainda não foram efetivados. ''Aqui eles tem quarto com wi-fi, tevê a cabo e frigobar, além das refeições do dia'', conta. Tudo dentro do padrão exigido pela Petrobras.


