Curitiba - A Polícia Federal (PF) entregou ontem ao Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, as 131 obras de arte apreendidas na casa do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Ele foi preso durante a décima fase da Operação Lava Jato, batizada de "Que País é Esse?", na última segunda-feira. Segundo o delegado da PF Igor Romário de Paula, o acervo estava distribuído por diversos cômodos da residência do executivo, incluindo salas, quartos, escritórios, corredores, escadas e até a academia. A suspeita é de que ele comprou os quadros com recursos ilícitos.
Também chegaram ontem ao MON as oito telas que eram do lobista Adir Assad. A PF não tem uma estimativa do valor das obras, uma vez que a autenticidade só será confirmada mediante perícias. Sabe-se, porém, que há peças de artistas como Djanira, Alberto Guignard, Heitor dos Prazeres, Agostinho Batista de Freitas, Antonio Poteiro e Yara Tupynambá. Com as novas aquisições, o museu passa a contar com 203 telas apreendidas desde o início da Lava Jato.
"As apreensões aconteceram por dois motivos: pelos indícios de que (as obras) foram adquiridas com dinheiro de origem ilícita, provavelmente oriundo de pagamento de propina para altos funcionários da Petrobras, e também para garantir ao juízo a aplicação de uma eventual pena de ressarcimento de patrimônio ou então de multa penal no final do processo", explicou de Paula.
De acordo com o delegado, no caso específico de Duque, há evidências bem definidas de lavagem. O ex-diretor teria comprado em galerias alguns quadros que foram pagos por operadores investigados na nona fase da operação. "Ele não chegava a receber dinheiro oriundo de propina de contratos com a Petrobras ou empreiteiras. O operador pagava diretamente a galeria ou o proprietário na compra das obras. Isso passava a ser um patrimônio em princípio limpo", completou.
Para a presidente do MON, Juliana Vosnika, a entrega demonstra que o museu tem condições de absorver e guardar as telas de forma adequada, seguindo um padrão internacional. Ela contou que as peças serão primeiro submetidas a uma quarentena, para avaliação. "Precisamos saber se não há cupim ou fungo, que possam passar algum risco para o acervo. Depois, acontece a parte de higienização", afirmou. A expectativa é de que os quadros sejam expostos em uma sala do MON a partir de 14 de abril, assim como já ocorre com os 64 entregues nas fases anteriores da Lava Jato.

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