Obra símbolo do desperdício é retomada
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Símbolo do desperdício do dinheiro público, o polêmico e inacabado prédio que deveria abrigar o fórum de Curitiba finalmente terá suas obras retomadas esta semana depois de 18 anos de iniciadas. A ordem de serviço para o reinício das obras foi assinada ontem de manhã em solenidade realizada no pátio do ''esqueleto'', velho conhecido da população curitibana. As obras do edifício situado na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, começam esta semana e devem ser concluídas até outubro de 2005. Quando pronto, o prédio vai abrigar as quatro secretarias que hoje funcionam no antigo conglomerado Banestado, no bairro Santa Cândida.
A retomada do prédio abandonado é a primeira etapa do Plano de Revitalização do Centro Cívico. De acordo com o governador Roberto Requião (PMDB), a intenção é retomar a proposta do ex-governador Bento Munhoz da Rocha que colocou em prática a idéia de agregar o comando de decisão do Estado e trazer de volta ao Centro Cívico as secretarias de Estado que hoje estão espalhadas por Curitiba.
''O Estado se dispersou. Por total irresponsabilidade, pela diáspora da antiga gestão, eles construíram o museu (Museu Oscar Niemeyer) no prédio que era das secretarias, entregaram outro prédio ao Ministério Público, transformando a administração pública muito difícil do ponto de visita da comunicação imediata'', disse, referindo-se à distância entre os locais de trabalho. ''Se preciso falar com um secretário, ele demora uma hora para chegar ao Palácio'', queixou-se o governador.
Requião mostrou sua definição do projeto com a expressão ''Desatando Nós'' estampada nos tapumes em volta da obra. Além de ''desatar o nó do prédio'', como disse Requião, as mudanças no Centro Cívico também irão agilizar a centralização do Poder Judiciário. Para isso, o governo do Estado já enviou à Assembléia Legislativa projeto de lei para cessão do prédio da atual Peniteniária do Ahú, em Curitiba, para uso do Tribunal de Justiça (TJ). O governador também prevê futuramente a transferência do Ministério do Público (MP) estadual para outro local.
O custo da obra, que será feita em duas etapas, é estimado em R$ 13 milhões. Na primeira, que deve durar quatro meses e consumir R$ 1,7 milhão, será feito reforço das estruturas e retirados os últimos quatro andares do prédio. Segundo o arquiteto responsável, Edson Klotz, essa decisão vem ao encontro do projeto orginal do prédio, que determinava seis pavimentos e não dez, como foi feito. Com isso, a área atual de 39 mil metros quadrados será reduzida para 29 mil. Em seguida, será aberta licitação para a escolha da empresa que fará a construção propriamente dita.
Para a retirada dos andares será usada uma tecnologia inédita no Estado, que prevê o corte das lajes com discos e fitas adiamantados em pedaços de cerca de cerca de 1 metro quadrado. Serão cortados 7 mil metros de lajes, os quais devem ser reutilizados na construção da parte administrativa da Penitenciária de Piraquara e de habitações populares.


