Obra pára por suspeita de desvios
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terça-feira, 23 de outubro de 2001
Sid Sauer<br> Enviado a Corumbataí do Sul 
O prefeito de Corumbataí do Sul (51 km a leste de Campo Mourão), José Antônio Cafissi (PSDB), enviou ao Ministério Público (MP) de Barbosa Ferraz uma representação acusando o ex-prefeito Jair Cândido de Almeida (PFL) de desviar recursos das obras da sede do Programa para a Infância e Adolescência (PIA). As obras estão paralisadas desde o final do ano passado. Almeida nega as acusações.
Segundo Cafissi, a prefeitura comprou e pagou, no ano passado, material para as obras que nunca foi utilizado na construção. São oito compras que incluíram material de acabamento e que totalizaram R$ 11.309,26. A edificação foi prevista em convênio assinado em 1998 entre a prefeitura e a Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família. Ela foi orçada em R$ 75,8 mil, sendo que R$ 56,8 mil (75%) seriam repassados pelo Estado.
''Tudo foi empenhado e pago, mas a obra não apareceu'', denuncia Cafissi. Segundo ele, a prefeitura ainda tem R$ 13 mil para receber do convênio, mas o dinheiro será insuficiente para a conclusão da obra. ''Precisamos de uns R$ 30 mil.'' A última medição realizada pelo Departamento Estadual de Construção de Obras (Decom), em 22 de agosto, mostrou que apenas 66,23% da obra estava concluída.
O ex-prefeito Jair Cândido de Almeida confirmou ontem à tarde, por telefone, que grande parte do material ainda não utilizada na obra foi comprado e pago pela prefeitura, mas negou que tenha ocorrido desvios. ''Esse material todo está com o fornecedor'', disse. Segundo Almeida, a empresa segurou o material como forma de pressionar a prefeitura a pagar uma dívida de cerca de R$ 60 mil referente a material de outras construções.
A chefe do escritório regional da Secretaria da Criança e Assuntos da Família em Campo Mourão, Taís Pasqualin, disse ontem que vai cobrar da prefeitura porque as obras continuam paralisadas. De acordo com ela, o município recebeu uma nova parcela de cerca de R$ 8 mil no início do mês e deveria ter agilizado as obras. Taís admitiu que houve ''problemas'' na conclusão do projeto durante a gestão anterior.


