O Ministério Público de São Paulo suspeita que o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) recebeu cerca de 15% (ou R$ 300 milhões) do dinheiro pago à Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO) pela obra do Túnel Ayrton Senna, que passa sob o Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A informação consta de mensagem enviada em 16 de novembro à States Jersey Police Finncial Crimes Unit (Unidade de Crimes Financeiros da Polícia de Jersey). O empreendimento teria sido superfaturado orçado em R$ 450 milhões, acabou custando R$ 2 bilhões, segundo o promotor Marcelo Mendroni e o procurador de Justiça Alberto Oliveira de Andrade Neto.

Os detalhes do suposto esquema de corrupção envolvendo Maluf foram revelados ao inspetor David Minty e fazem parte das intensas negociações travadas entre o Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado braço do Ministério Público paulista e a polícia do paraíso fiscal do Canal da Mancha, onde o ex-prefeito é apontado como beneficiário de aplicações bancárias. Os contatos foram mantidos durante cerca de um ano. São cerca de 80 correspondências por e-mail que expõem os bastidores do caso Jersey.

Maluf contratou a CBPO para construir o túnel entre 1993 e 1996, quando exerceu o cargo de prefeito. O esquema teria operado da seguinte forma: ''A CBPO arrumou uma outra empreiteira, Lavicen Ltda., para alugar as máquinas e os equipamentos, a preços extremamente altos. Mas essa empresa não dispunha de nenhuma máquina ou equipamento mencionados em seu contrato. O contrato serviu para o fluxo de dinheiro, em um esquema de lavagem de dinheiro. Assim, a Lavicen Ltda., recebeu o dinheiro e enviou-o a uma conta que não foi identificada até o presente momento mas temos sérias suspeitas de que o dinheiro foi depositado na conta de Maluf e sua família em países estrangeiros.''

Os representantes do MP afirmam que ''na investigação foi demonstrado que a empreiteira havia cotado os materiais e os salários dos trabalhadores em muitas vezes o valor da despesa real; no entanto, Maluf efetuou os pagamentos pela construção''. Eles acrescentam: ''Para encobrir as fraudes, a empresa forneceu relatórios falsos que continham trabalhadores e materiais extras; outra fraude foi o reajuste dos custos muito acima do contratado, com a autorização de Maluf e seu secretário (de Obras).''

No final da mensagem ao inspetor da polícia de Jersey, Mendroni e Andrade Neto assinalam: ''É muito importante para o progresso da investigação que o sigilo bancário das contas de Maluf e sua família seja quebrado; é por isso que necessitamos de sua ajuda. Isso nos permitirá processá-lo também com base em nossas leis sobre lavagem de dinheiro.''

mockup