O problema é que, além do PMDB, o PT quer fazer alianças também com o PP, cujas origens remontam à Arena, partido que deu sustentação política ao regime militar. E, em São Paulo, o PP é sinônimo de Paulo Maluf. O presidente petista, José Genoino, afirma que esse será o único caso em que a parceria do PT com o PP não vingará.
Na realidade, o PT está dividido sobre uma eventual candidatura de Maluf. Por um lado, ela pode tirar votos de um candidato com discurso à direita, como o PT supõe que seria a do secretário da Segurança de São Paulo, Saulo de Castro, pelo PSDB. O que se espera do tucano é uma campanha voltada para a segurança. Por outro lado, Maluf pode tirar votos de Marta na periferia, onde os eleitores da prefeita já estarão sob o ataque de Luiza Erundina (PSB).
Em Belo Horizonte, o próprio prefeito petista está costurando a aliança com o senador Hélio Costa (PMDB). O que pode causar surpresa nessa eleição seria o fato de o PSDB não ter candidato próprio. O partido tucano tem dificuldades para apresentar um nome, e o governador Aécio Neves (PSDB-MG), além de estar muito afinado com Pimentel, pode optar pelo clássico argumento de que se comportará como um ''magistrado'' no pleito.
A transformação do PT em um partido ''de massa'', com as novas filiações e alianças que antes seriam consideradas heterodoxas, não traria risco de desfiguração da sigla nem sequer lembraria a trajetória dos seus antecessores no governo, como a antiga Arena e o próprio PMDB, segundo avaliação de seus dirigentes.

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