Objetivo é deslanchar mandato, dizem analistas
Agência Estado
De Brasília
A reforma ministerial anunciada ontem deve ser encarada como uma guinada que vinha sendo cobrada do presidente Fernando Henrique Cardoso, dizem colaboradores próximos ao presidente. Segundo ele, o anúncio da nova equipe marca o início efetivo do seu segundo mandato - até aqui comprometido por crises e escândalos - e reflete sua determinação em retomar as rédeas do governo livre do jugo da coligação de partidos que o reelegeu.
O aspecto mais importante da mudança, frisam, foi a inversão na lógica de comando, antes centralizada na Casa Civil, que perde agora o seu caráter formulador. Essa atribuição passa para a secretaria-geral da Presidência, para a qual foi nomeado o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que, na prática, será o articulador político do governo. O preenchimento deste cargo - vago desde a saída de Eduardo Jorge Caldas, no ano passado - é mais um sinal do fortalecimento político do governo.
Nesta nova lógica, o enfoque político da administração torna-se preponderante ao aspecto técnico. A nomeação de um tucano para o cargo fortalece o PSDB paulista e confirma a opção do presidente por seu partido. Foi com lideranças tucanas que o presidente discutiu, nos últimos dois dias, seu novo ministério.
Apesar de manter inalterado o espaço dos partidos que o apóiam, o presidente redistribuiu o poder entre as legendas. Sobrevivendo a duas tentativas de expulsão - encampadas pelo PSDB e PFL - o PMDB manteve o mesmo número de cargos no primeiro escalão, mas perdeu poder. Sua principal vitrine política, o Ministério da Justiça, passou para as mãos do jurista José Carlos Dias, que mantém forte identificação com o PSDB paulista.





