Em seu segundo mandato como governador do Paraná, o arquiteto e engenheiro Jaime Lerner, 61 anos, promete ‘‘buscar soluções para combater o desemprego e as injustiças sociais e manter os avanços no Estado’’. Ele afirma que o Paraná avançou muito em seu primeiro mandato e não pode parar. ‘‘Teremos muito trabalho para manter esses avanços, mas vamos dar uma resposta clara ao catastrofismo’’, assegura.
Para Lerner, 99 será o ano da afirmação. ‘‘O Estado vai continuar sendo a terra da esperança, da oportunidade. É este o compromisso. É isso que eu posso assegurar: nós vamos continuar a criar oportunidades para a nossa gente e o Paraná vai ser vanguarda neste País’’.
Nascido em Curitiba e formado em Engenharia Civil e Arquitetura pela Universidade Federal do Paraná, três vezes prefeito de Curitiba, Lerner diz que pretende continuar garantindo o crescimento na área social. ‘‘A grande marca no meu primeiro mandato foi o avanço social e isso possibilitou o avanço na área econômica’’, aposta.
Para o governador, graças à estrutura existente no Estado, à boa qualidade de vida e aos avanços sociais, o Paraná tornou-se atrativo para investimentos industriais. ‘‘Tanto que anunciamos uma série de cortes, mas colocamos como prioridade rigorosa a área social. Estamos diminuindo gastos, reduzindo custeio, sem comprometer os programas sociais’’, afirma.
É na tecla do social que bate o governador para justificar a vinda de novas indústrias. Ele nega que a maior foco de atração, principalmente para as montadoras, tenha sido as vantagens fiscais. Segundo ele, principalmente a dilação do prazo para o ICMS é só uma questão de tempo. ‘‘Abrimos mão agora, mas estamos fritando o porco na própria banha’’, compara.
A assessoria de Lerner tem decor os números para rebater as críticas da oposição que acusa o governo de beneficiar empresas de fora em detrimento das unidades do Paraná. De acordo com os números oficiais, 25% dos novos investimentos correspondem às montadoras.
‘‘O governador tem dois exemplos que fecham e respondem críticas: a primeira indústria a assinar protocolo de intenções, ainda no primeiro ano do primeiro mandato do governador foi a Sadia, que, recentemente, assinou outro protocolo para iniciar atividades em Ponta Grossa. E o último protocolo do ano foi assinado com a Leão Júnior, que é daqui e tem 98 anos de existência’’, diz a assessoria. ‘‘É um discurso infundado de que só existe apoio para indústria de fora. O tratamento é igual’’, afirma a assessoria.
Os governistas garantem também que não procedem os questionamentos de que a maioria das indústrias está se instalando em Curitiba e região metropolitana. ‘‘Estamos conseguindo crescer de forma balanceada. Hoje o desenho do Paraná mostra um crescimento equilibrado em todas as regiões’’, afirma a assessoria.
Para fomentar novos mecanismos de financiamento para novos investimentos, o governo está criando as agências de desenvolvimento. Além dessa novidade no segundo mandato, Lerner pretende dar ênfase à agroindústria. Foi, inclusive, uma de suas principais promessas de campanha eleitoral. ‘‘É preciso entrar nas áreas que ainda não registraram crescimento’’, admite.
Na educação e na saúde, o próximo mandato de Lerner deve ser de ampliação da capacitação de pessoal. Faxinal do Céu, o ‘‘QG’’ do governo para a realização dos cursos e oficinas para os professores, será também utilizado a partir desse ano para capacitação e treinamento do quadro geral do Estado. A atenção ao jovem, através do incentivo às bolsas de estudo, também está nos projetos de Lerner.
Na segurança pública, o governo promete investir em qualificação humana. O argumento é o de que o Paraná tem uma das polícias mais bem equipadas e remuneradas do País e de que o próximo passo é melhorar o atendimento da Polícia ao cidadão.
Já uma das questões ainda não bem definidas para o segundo mandato do governador é o ensino superior. O governo planeja cortes no orçamento das universidades e pode prejudicar suas atividades. Os reitores discutem alternativas em conjunto com o governo, mas ainda não acordo sobre os rumos das instituições de ensino superior. Para os servidores, o Estado garante que não abre mão de ‘‘manter rigorosamente em dia’’ os salários.
Sobre as críticas da vice-governadora Emília Belinati, de que o governo não discutiu em conjunto os nomes do secretariado, Lerner disse considerar o assunto superado. E espera ‘‘governar com a vice mais integrado do que foi no primeiro mandato’’. (P.Z)

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