OAB vai defender 'quarentena' de juízes
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quinta-feira, 16 de novembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
O candidato único que disputa a presidência da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Hipólito da Silva, vai propor na reforma do Judiciário a adoção de quarentena de pelo menos cinco anos para juízes, promotores, delegados e outros servidores públicos aposentados que pretendam exercer a advocacia.
Chamado de interstício, o afastamento temporário irá evitar que eles se beneficiem da influência que adquiriram nos tribunais para ganhar causas como advogados, diz Hipólito. Candidato da chapa XI de Agosto, ele justifica que a proposta vem trazer igualdade para os profissionais que nunca desfrutaram do mesmo poder. Hoje, as grandes causas no Paraná são defendidas por ex-magistrados e ex-promotores de Justiça, diz. Segundo Hipólito, o status de autoridade influencia a sociedade na hora em que precisa de um defensor. Esse ciclo acaba trazendo bons resultados para quem é do ramo.
Eles começam a acumular um patrimônio mais consistente assim que passam a exercer a advocacia. Isso não acontece porque eles são melhores advogados, mas pela influência que exercem, já que por muito anos foram íntimos dos outros magistrados, diz.
No caso dos ex-juízes, promotores e delegados renunciarem aos seus salários como aposentados, o candidato considera que seria esta a única maneira de exercerem a função de advogado. O que queremos é combater a injustiça. O tratamento que recebem dos funcionários da Justiça é diferente, já que todos eram seus subordinados no passado.
Para sustentar a tese, Hipólito lembra de uma portaria do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre um assunto semelhante. A frequência de ex-juízes e promotores nos gabinetes dos colegas da ativa era tão grande que começou a gerar protestos de outros advogados. A portaria da presidência do TJ paulista acabou proibindo a circulação dos juízes e promotores aposentados no prédio do tribunal. A portaria foi baixada porque a influência deles era muito grande. O candidato considera que o interstício não é apenas um anseio dos advogados do Estado, mas de todo o Brasil.
A eleição para a OAB será realizada no próximo dia 21, quando o nome de Hipólito deve ser referendado. A expectiva é de que mais de 22 mil advogados participem do pleito.


