A Ordem dos Advogados do Brasil seção Paraná (OAB/PR) está contra a venda da Copel. A decisão foi tomada pelos conselheiros da Ordem na última sexta-feira, mas divulgada apenas ontem. A entidade estava dividida em duas facções, e a votação foi apertada: 22 a 15. A posição dos advogados bate de frente com os planos do governo, que quer privatizar a empresa em outubro ou novembro deste ano. No entanto, o presidente da OAB no Estado, José Hipólito Xavier da Silva, não quer transformar a decisão em um ato político.
Xavier da Silva disse que a OAB não vai engrossar o Fórum Popular Contra a Venda da Copel – que ontem comemorava a decisão do conselho –, nem qualquer outro movimento contra a privatização. ‘‘A Ordem não se presta a participar de mobilizações de caráter político que visem trazer dividendos a este ou aquele grupo’’, declarou.
Para ele, em torno do Fórum – formado por mais de 200 entidades no Estado e pela bancada de oposição na Assembléia Legislativa – gravitam interesses políticos que não podem contaminar a OAB. A entidade vai elaborar uma nota oficial. Xavier da Silva adotou uma postura cautelosa, e afirmou que a nota ‘‘não será de repúdio à atitude do governo do Estado’’. Segundo ele, será uma nota concisa, apenas explicando a posição da OAB. A entidade argumenta que a empresa é lucrativa e que sempre atendeu bem aos paranaenses. Xavier da Silva disse que o racionamento de energia não pesou na decisão porque, a princípio, o Paraná não sofrerá cortes.
O deputado Orlando Pessuti (PMDB), um dos coordenadores do Fórum, ocupou a tribuna ontem para comemorar a decisão dos advogados. Lembrou que o Fórum está coletando assinaturas nos municípios para apresentar, no dia 13 de junho, um projeto de iniciativa popular contra a privatização. São necessárias cerca de 65 mil assinaturas (equivalente a 1% do eleitorado). O líder do governo, Durval Amaral (PFL), apresentou projeto de resolução alterando o Regimento Interno, com o objetivo de impedir a votação do projeto popular. A matéria ainda não foi votada.
Tony Garcia, líder do PPB na Assembléia, voltou a criticar ontem o projeto do governador Jaime Lerner (PFL) de privatizar a estatal de energia. Garcia disse que ‘‘ninguém, em sã consciência, insistiria em vender a Copel em qualquer época, tal a eficiência e rentabilidade da empresa. Menos ainda agora, quando o País passa pela escassez de energia’’, reclamou. ‘‘Está aí o sóbrio governador de São Paulo (Geraldo Alckmin), que diante da crise decidiu poupar as estatais de seu Estado da sanha privativista estimulada por interesses de grupos econômicos que não enxergam nada além das vantagens que atentam contra o bem comum’’, alfinetou Garcia. Para o deputado, trata-se de uma ‘‘obsessão’’ e um ‘‘capricho’’ do governador, ‘‘como foram os Jogos Mundiais da Natureza’’.
O secretário da Fazenda e presidente da Copel, Ingo Hubert, disse aos deputados – quando foi sabatinado sobre a privatização no dia 27 de março – que o objetivo é acabar com o déficit previdenciário, de R$ 90 milhões/mês.

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