OAB Londrina cria grupo para fiscalizar administração pública
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O cidadão liga a TV e ouve o vereador dizendo que não pode julgar o colega de Plenário, na esfera política, ''por falta de provas'' - isso é fato? Em outra situação, ele ouve no rádio e lê nos jornais que, apesar de denunciado por uma lista de crimes, determinado agente político continua dando expediente como se nada lhe houvera sido imputado, e como se a permanência no posto nada afetasse o interesse daqueles a quem deveria representar - como reagir a isso? Ou, ainda, como reagir à má vontade ou ao mau atendimento dos quais porventura se possa ser vítima, no serviço público, se o interesse de fato for o de mudar esse panorama?
É com a justificativa de responder essa e outras questões que surjam da comunidade que a subseção regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deu posse ontem à Comissão de Administração Pública, composta inicialmente por nove advogados das mais diversas áreas - da ambiental à empresarial. A proposta do grupo é ser um elo com o cidadão no sentido de atuar sobre a fiscalização da administração pública, de uma forma geral, a fim de observar se estão sendo cumpridas as exigências legais que devem regê-la. Outra vertente é a busca pela conscientização da comunidade.
O coordenador da comissão, o advogado empresarial Luís Hasegawa, afirmou que ''há tempos'' a subseção discute a criação do novo grupo - mas admitiu que foi a demanda com o escândalo de suposta corrupção envolvendo parte do Legislativo londrinense que acelerou os trabalhos.
''Muitas informações não estão tão acessíveis ao cidadão comum, que precisa saber, por exemplo, que o julgamento político não carece exatamente de provas. Ao mesmo tempo, muita gente não sabe como tem que ser uma licitação pública, ou mesmo como ter acesso correto a um serviço público'', definiu Hasegawa. Sobre o papel de conscientização da nova equipe da OAB, ele aposta: ''Os promotores ou os movimentos não podem lutar nisso sozinhos; essa é uma briga do dia-a-dia, de forma conjunta, porque não se tolera mais propina, suborno. E se isso acontece, inibimos investimentos em Londrina e a cidade não avança''.
Para o presidente da subseção, Wilson Sokolowisk, outro trabalho que deverá ser feito pela comissão, em estratégias ainda a serem estudadas, será o de alertar o cidadão, ''mas em entrar na questão político-partidária'', sobre os candidatos que serão colocados sob apreciação no próximo pleito. Sokolowisk justificou ainda o porquê a OAB não havia se poscionado durante a crise na Câmara. ''Porque não é papel nosso, como órgão de classe, ir às ruas, pois geraria um antagonismo à atividade profissional dos advogados dos vereadores (acusados). Mas o próprio cidadão terá de ser consciente no voto, ao passo que a Câmara terá que dar respostas saneadoras à sociedade.''


