OAB faz campanha contra nepotismo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de abril de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, Manoel Antônio de Oliveira Franco, afirmou que a partir do próximo dia 20 vão começar investigações para apurar casos de nepotismo nos três poderes do Paraná. A investigação faz parte de uma campanha nacional do Conselho Federal das OABs com o intuiuto de denunciar a prática de nepotismo em todo o País. O primeiro passo no Paraná será oficiar todos os órgãos para que mandem a relação de funcionários.
''Sabemos que vamos ter dificuldades em conseguir os dados. Mas estamos estudando como proceder para chegar a estas pessoas'', afirmou Oliveira Franco. Segundo o presidente da OAB/PR, a campanha está sendo lançada como forma de tomar uma medida contra a posição do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP), que apóia a contratação de parentes desde que eles sejam qualificados para o cargo. ''Resolvemos tomar uma atitude diante deste mau exemplo'', explicou Oliveira Franco.
O objetivo da campanha nacional da OAB contra o nepotismo é levar o Congresso a aprovar uma emenda constitucional impedindo a contratação ou nomeação de parentes por seus superiores no serviço público. Além da campanha denunciando a contratação ilegal de parentes, a OAB pretende esclarecer à população sobre os efeitos nefastos deste tipo de prática. A campanha vai denunciar nos veículos de comunicação a prática de nepotismo e também recolher assinaturas em todo o País para entreguar aos parlamentares pedindo a aprovação imediata da mudança na Constituição.
Na última quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o parecer do deputado Sérgio Miranda (PCdoB-MG) favorável à emenda constitucional que proíbe o nepotismo na União, estados e municípios. ''Vejo com bons olhos este avanço'', comemorou Oliveira Franco. No Paraná, o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) apresentou um projeto proibindo deputados estaduais, secretários de Estado, conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o próprio governador de nomear parentes até o terceiro grau ou cônjuges para cargos em comissão.
Um dos casos de nepotismo mais conhecido e que mais causou polêmica no Estado é justamente o do governador Roberto Requião (PDMB). O governador possui sete parentes nomeados para cargos de confiança: três irmãos, entre eles o secretário de Estado da Educação, Maurício Requião, e o superintendente do Porto de Paranaguá, Eduardo Requião, sua esposa, Maristela Requião, que ocupa a presidência do Museu Oscar Niemeyer, uma cunhada e dois sobrinhos.


