O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Reginaldo Oscar de Castro, disse ontem em Brasília que o governo não está sendo transparente nas informações sobre a crise econômica, e acusou o Congresso de estar sendo omisso por não se reunir para discutir o assunto.
Diante desse quadro de ‘‘profunda perplexidade’’, Castro propõe que a sociedade civil se organize em um fórum, para cobrar do governo explicações sobre a crise e seus efeitos sobre a população. A ‘‘vigília permanente da sociedade civil’’ também teria o objetivo de discutir e propor soluções. ‘‘A sociedade precisa se armar para enfrentar os efeitos da crise’’, disse.
‘‘Precisamos tomar conhecimento do que realmente está acontecendo e dos riscos. O governo precisa ser mais claro. A sociedade precisa se organizar para cobrar isso’’, disse Castro. Esse fórum, segundo o presidente da OAB, não poderia ser partidário.
Castro afirmou que segmentos organizados da sociedade civil deveriam participar, como a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), a AMB (Associação dos Magistrados do Brasil) e o CRUB (Conselho dos Reitores das Universidades Brasileiras).
A proposta de Castro será submetida hoje ao plenário do Conselho Federal da OAB, em Brasília, onde acontece sua reunião mensal. O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi procurado ontem pela reportagem, por telefone, em seu gabinete em Salvador (BA). Até às 19 horas, ACM não havia retornado o telefonema.
A falta de transparência do governo é cobrada também por parlamentares governistas e da oposição. Isso pode dificultar a concretização do pacto que o presidente Fernando Henrique Cardoso pretende fazer com o Congresso para aprovar medidas contra a crise.
‘‘A democracia não chegou à área econômica. É impossível fazer pacto em cima desse comportamento de arrogância e prepotência. O governo precisa dar mais transparência às medidas e abrir a caixa-preta da área econômica’’, disse o líder do PTB na Câmara, Paulo Heslander (MG).
O vice-líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), defende o pacto, desde que o Congresso possa apresentar suas propostas. ‘‘O pacto não pode ser só para o Congresso ouvir as propostas do presidente. Temos de dar nossa contribuição para tornar o Brasil o mais imune possível a essa crise’’, disse.
O líder do PT no Senado, Eduardo Suplicy (SP), rejeita a discussão sobre pacto. ‘‘Não falamos sobre pacto com Fernando Henrique porque nossa expectativa é que Luiz Inácio Lula da Silva ganhe as eleições’’, disse. Suplicy apresentou requerimento à CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado convocando o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Gustavo Franco, para darem explicações sobre a crise.

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