RIO - Filho da secretária Lyda Monteiro da Silva, morta no atentado a bomba contra a sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro em 1980, o advogado Luiz Felipe Monteiro, 40 anos, afirmou que é ‘‘patente’’ a ligação entre o crime e a explosão da bomba no Riocentro em 1981. Monteiro fez parte da comissão da OAB encarregada de reabrir o inquérito, o que pode acontecer depois que detetives particulares contratados pela Ordem descobriram que entre oito e 12 pessoas, a maioria militares, tiveram participação no atentado.
Apesar de ter sido a comissão da qual fez parte Monteiro que contratou os detetives, o advogado disse que não tem conhecimento dos nomes dos responsáveis pelo ato terrorista. A íntegra do trabalho dos detetives vai ser divulgada pelo Conselho Federal da Ordem amanhã, segundo o presidente Comissão de Direitos Humanos da OAB, Antônio Carlos Berenhauser.
Monteiro justifica sua crença da ligação entre o atentado da OAB e do Riocentro pela experiência pessoal. ‘‘Quem viveu naquele tempo sabe que os atos terroristas tinham intenção de tirar a estabilidade do governo Figueiredo e impedir a abertura política’’, explicou. A investigação particular apurou que tanto a bomba que atingiu a OAB como a usada contra a Câmara dos Vereadores, no mesmo ano, teriam sido construídas por Chafic S., especialista argelino em explosivos.
O advogado afirmou que o reinício das investigações impediria que o crime prescrevesse daqui a três anos, como está previsto. ‘‘A reabertura do inquérito pela Polícia Federal interrompe a contagem do tempo para a prescrição’’, explicou. Monteiro criticou o trabalho da PF sobre o caso. ‘‘O fato de a OAB ter tido de contratar um escritório de detetives, ao invés de ter o apoio da Polícia Federal, é paradoxal’’, lamentou o advogado.
Ele lembrou que, na época do atentado, o inquérito foi encerrado justamente quando a PF havia acabado de encontrar a prova mais importante: a máquina de escrever que bateu a carta colocada em um envelope junto com a bomba, entregue por um portador na sede da OAB. A máquina estava em poder de uma escola de datilografia do Rio de Janeiro. ‘‘Depois disso, a polícia não fez nada’’, criticou.
O desinteresse da PF foi um dos obstáculos que levaram a comissão a contratar detetives particulares. ‘‘Além disso, nós da comissão não podíamos dedicar nosso tempo integral no trabalho’’, explicou o advogado. Ele não pretende pedir indenização ao Estado pela morte da mãe. ‘‘Esssa é uma questão menor, o importante é punir as pessoas que cometeram o atentado’’, disse.
Professor de Direito na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e da Faculdade Cândido Mendes, Monteiro, na época da morte da mãe já era advogado e estudava no curso de pós-graduação de Direito na PUC-RJ. ‘‘Eu estava na aula, quando me avisaram e fui ao Hospital Souza Aguiar’’, lembrou. ‘‘Minha mãe morreu a caminho do hospital’’.
Assim que começaram as investigações sobre o crime, o estudante Monteiro percebeu que os culpados não iriam ser identificados. ‘‘Na época, eu era bem jovem, mas sabia que o caso não iria dar em nada’’, recordou. ‘‘Hoje tenho mais esperança, estamos em uma democracia’’.

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